Gratidão

Sou eternamente grata
Por tantos anjos que me protegem
Divinos seres alados
Que sem se verem estão alertas
Tanta gente que é atraída a mim
Purpurinas de mil cores
Chegam sem sabermos como

Sou infinitamente grata
Por todos aqueles com quem
não quero mais lidar
Serem afastados de mim
Sem muitas vezes saber como
Sem precisar nada fazer
Apenas ter esse sentimento

Orar
Confiar
Esperar
E como por magia
Com uns pós de Prilimpimpim
Puff… desaparecem

A lei da atração e da frequência em ação
Não há nada mais belo e libertador
Saber que o que precisamos vem
E o que nos faz mal vai
Sê luz, pratica o bem e o mesmo receberás

Obrigada Deus por cuidares assim de mim

Tantos rostos
perdidos na multidão
Tantas rugas
que marcam vidas
Tantas histórias
por contar
Tantas dores
ocultas
Casos naufragados
Sonhos desmaiados
Lembranças idas
Saudades aguerridas
Conterrâneos esquecidos
Sinais de um tempo que se foi
Sulcos das sementeiras
que a tempestade levou
Raízes arrancadas
Escaras abertas
Ao vento deixadas a secar
Corpos mutilados por dentro
Sentimentos enrolados
em novelos de lã escondidos
Amores desabotoados
Vítimas de um mundo perdido

Livro 777

Vontade declamada
Em pontas dos dedos rimada
Tinta eterna
Guarda o pulsar
De um coração
Que quieto não sabe estar

Hoje, dia 7 setembro, faz 7 meses desde o meu aniversário em 7 fevereiro e 3 dias desde o lançamento do meu livro. Dois números que me são especiais: o 7 e o 3 – 777. E está na altura de agradecer a tod@s que têm passado pela minha vida e deixado de alguma forma o seu toque positivo; ajudado no meu crescimento; divulgado a minha paixão e acreditado em mim.

Adoro ler, desde sempre, e escrever também como forma de expressão e libertação. Nunca o havia feito publicamente até outubro do ano passado, altura em que abri a página cenasdescritas e que terminei a escrita, revisão e correção do meu primeiro livro – 777 – o meu bebé. Um livro de ficção, fantasia, magia e realidade misturados numa viagem que nos envolve e transporta para uma dimensão espiritual do mundo sobrenatural.

Agradeço a todos que estiveram presentes no seu lançamento e todos aqueles que o adquiriram e estão a ler.

Espero que gostem porque este será o primeiro de uma trilogia que já está a ser preparada. Tenho muito trabalho pela frente, por isso convido-vos a continuarem nesta caminhada comigo acompanhando-me e dando-me o vosso feedback. Com ajuda fica sempre mais fácil ❤️Muito obrigada🙏🏼

Livro disponível: Feira do Livro de Lisboa – Editora Cordel D’ Prata – B23; página http://www.cordeldeprata.pt; por mensagem no blog ou página FB: https://www.facebook.com/cenasdescritas.saracarvalho/ e Instagram: https://www.instagram.com/cenasdescritas.saracarvalho/

Sozinha em casa? (Parte I)

A noite espalhada no alcatrão refletia o sentimento que lhe consumia o peito. Passava pouco da uma da manhã. O prédio da frente espreitava por entre as cortinas do quarto. Parecia sussurrar-lhe algo, apesar do silêncio desmedido. As janelas escuras, sem estores, afiguravam olhos encovados atentos à vida que, naquele momento, era nula. Pareceu-lhe ver qualquer coisa numa das janelas do primeiro andar. Talvez reflexo de algum farol de um carro que apareceria em breve, mas não. A estrada não se mexeu. Impossível, pensou. A viúva morrera sem deixar herdeiros e sempre vivera sozinha, pelo menos nos últimos vinte anos. Arregalou mais os olhos, fixou-os e susteve a respiração; como se ajudasse a apurar a visão. Nada. A casa acusava o gasto dos anos e desde o falecimento da dona que se tornara ainda mais abatida. Decidiu correr as cortinas e deitar-se. Ouviu um ruído no andar de baixo. Teria deixado alguma janela aberta? Decidiu verificar e desceu. Para seu espanto, a porta da rua estava entreaberta e balançava suavemente com o vento. O ciciar das árvores ecoava pelo hall. Arrepiou-se e sentiu o tórax acelerado. Espreitou a rua, não viu nada, trancou a porta. Tentou recordar-se, quando entrarara, se a tinha fechado; tinha quase a certeza que sim mas, desde que a depressão se instaurara, tinha algumas perdas de memória. Um novo ruído vindo da cozinha congelou-a. Sentia o coração a bater-lhe nas orelhas enquanto pensava o que fazer. Decidiu, a custo, avançar lentamente. O ranger das tábuas velhas denunciavam-na e obrigavam-na a abrandar, ainda mais. O batimento cardíaco parecia o pulsar das paredes. Estancou na entrada. A luz ténue vinda da janela das traseiras iluminava apenas um feixe da bancada de pedra. Todo o resto dormia. As panelas e utensílios arrumados e alinhados sobre o lava loiça estavam iguais ao costume. Mas algo diferente naquele quadro chamou-lhe a atenção. Uma mancha escura pincelada no chão de azulejo. Fremia sobremodo, num êxtase nervoso que a impedia de respirar. Acendeu a luz e horrorizada percebeu que era um rasto de sangue. Ainda fresco. Quem está aí, atreveu-se, tremulamente, a perguntar. Silêncio. Os rasgos iam na direção da dispensa…

Desafio para setembro – Quem conta um conto acrescenta um ponto.

Vou contar-vos um conto e desafio-vos a acrescentarem todos os pontos que quiserem para continuarem a história. A primeira parte está feita, a segunda fica na vossa imaginação. Bora lá!

777

O meu livro já está disponível na banca da editora Cordel D’ Prata (B23) – Feira do Livro de Lisboa, apesar do lançamento oficial ser no dia 4 setembro às 20:20 no auditório poente (topo do parque). Espero lá por vocês!

Deixo-vos com um poema adequado ao sentimento:

Compro os sonhos que a infância roubou
Não me permito ficar pobre
Aceito voltar a sonhar
Recomeço do zero e resgato
Tudo que deixei nas nuvens
Salto e volto a saltar
Até os conseguir apanhar
Trago-os ao colo
Junto ao coração
Embalo-os
Acaricio-os
Beijo-os
Permito-me ser quem sou
Volto a dar-lhes vida
Trago as pontas cor de rosa à tona
E mergulho com elas nos pés
Desta vez não as largo
Desta vez vou até ao fim
Largo tudo e recomeço
Por mim

Vive o sonho

Por muito que te digam não
Por muito que te digam para fazer diferente
Por muito que te critiquem
Por muito que se riam
Por muito que te apontem o dedo
Por muito que duvidem de ti
__ nisso
Segue o teu coração
Faz o que te apetece
Ouve o teu Eu mais interior
Não dês ouvidos ao ruído de fundo
Segue os teus sonhos
Faz acontecer os teus desejos
No fim, quem se vai rir és tu!

Gosto

Gosto de provocar
Sensações
Espanto
Reações

Levantar a moral
Espicaçar
Criar
Pôr a imaginação
a trabalhar

Ir para além
dos limites
Furar expectativas
Rasgar as certezas
absolutas
Arcaicas
Demagogas
Destapar a dúvida
Soltar o improvável

Viajar
nas asas de um condor
nas presas de um elefante
no dorso de uma pantera
Saltar
da montanha para o mar
Nadar com os golfinhos
Cheirar os corais
Dançar com as algas
e com os peixes casar
Gosto.
Gosto
de escrever a sonhar

As pontes

A longa e velha escada de madeira rangia a cada passo dado. A outra margem parecia tão distante que chegar lá com vida parecia uma missão impossível.
De qualquer forma, ficar ali parado não era solução. Avançava a medo medindo bem onde pisava; de vez em quando olhava para baixo, sabia que não devia. As águas revoltas pareciam chamá-lo pelo nome. A queda era morte certa. Daquela altura ninguém sobrevive. Segurou-se bem e deu mais dois passos. Uma rajada de vento atingiu-o em cheio e fez a ponte abanar como se fosse o baloiço de um trapezista. Agachou-se bem agarrado. Suava por cada poro. Sentia as calças coladas ao corpo a tolherem-lhe ainda mais os movimentos. Reergueu-se muito devagar, expirou fundo, encheu o peito de ar e avançou mais um pouco. Evitou uma falha de tábua e tentou focar-se na margem à sua frente. Dizia para si próprio que iria conseguir. Percebeu que o saco que trazia a tiracolo era demasiado pesado e que devia ter seguido o seu instinto de levar antes a mochila. As botas, que teve em dúvida, também haviam ficado no quarto. Que ideia estúpida partir naquela aventura e ouvir o conselho do colega para levar os ténis. Respirou fundo de novo, afastou os fantasmas e avançou. Já ia a mais de meio quando o voo rasante de um gavião lhe tirou o chapéu. Ficou a vê-lo balançar em direção ao chamamento da água. O suor que escorria pela testa inundou-lhe os olhos de sal. Custava-lhe ver. Limpou-os com a manga da camisa e avançou. Pensou: “quanto mais depressa melhor”. Desta vez, dava passos mais confiantes e certeiros olhando sempre em frente.

Muitas vezes passamos por dificuldades e apertos na vida. Umas vezes, porque nos colocamos nessas situações; outras são as circunstâncias que nos levam lá; noutras, damos ouvidos a terceiros e deixamos que estes nos influenciem; ou ainda, porque não escutamos o nosso próprio instinto.
Que alcancemos sempre a outra margem, aquela onde moram os sonhos, apesar de todos os contratempos que possam surgir. Ficar parado no meio da ponte é que não.

Mais vale só…

Tenho 47 anos e ainda hoje não consigo entender como é que a felicidade dos outros incomoda e é motivo de inveja, calúnias e boatos para tanta gente.
Eu, quando vejo uma fotografia de alguém feliz seja porque tem um novo amor, seja porque realizou um sonho, seja porque foi mãe, pai, avó, ganhou o Totoloto ou simplesmente porque sim, fico feliz também. Mesmo que essa pessoa nem seja minha amiga, quanto mais se fôr.
Muitos preferem ver as desgraças, sofrimentos e problemas alheios para poderem dizer “coitada/o”, remexerem nas feridas dos outros e dar palpites dos fados alheios – isso é que é bom! Elogiar, ficar contente e desejar que a felicidade de outrem seja duradoura já custa, mexe com as entranhas. Porquê? Porque é que as pessoas ficam irritadas com o bem que acontece aos outros? Chego a uma única conclusão: não são felizes e preferem ver os outros também infelizes para não se sentirem tão sós. Só assim se justifica tanto ódio espalhado pelas redes sociais a atrizes, cantores, apresentadores, escritores, etc., e que ainda se vendam revistas cor de rosa!
Pessoas que têm uma vida plena, ocupada e que não se interessam pela vida dos outros, em especial pelas desgraças, estão noutro patamar.
Quanto mais velha fico, mais percebo que menos amigos tenho, mas já lá diz o ditado: “mais vale só do que mal acompanhado.”