Juntos

Deixaste que a minha pele te saboreasse
Deixaste que o meu olfacto te inalasse

Deixei que a tua boca me sorvesse
Deixei que as tuas mãos me percorressem

Permitiste envolver-te nos meus braços
Permitiste dar vida aos teus desejos ocultos

Permiti ser-te submissa quando o vindicaste
Permiti que o meu néctar se fundisse com o teu

Quiseste que fôssemos um só
Quis-te em ardor no meu âmago

Na ilha

Foste vida cheia
Ventre pleno de prazer
Inundada pelas marés e marinheiros
Perdida agora no oceano
Borbulhas na espuma da manhã
Emanas a energia das estrelas
Daquilo que viveste outrora
Dos corpos que acolheste
Das gargalhadas que soaram ilha afora
Dos segredos que acalentaste
Dos colos que foram teus
Fervilhas com as recordações passadas
Do corpo fustigado por sol e sal
Pelos amantes que te amaram
Pelas histórias que não contaste
Guardas em ti tesouros escondidos
Foste jovem que não repousava o pé no morro
Foste palmeira com água de coco refrescante
Deste-te nas areias quentes e morenas
Sonhaste e fizeste sonhar
Suspiraste e fizeste suspirar
Agora sorris
Feliz
Viveste plenamente
És memória certa e inesquecível
Sumarenta e vibrante
Pintavas todas as cores do arco-íris
Espalhavas magia pela orla
A mesma que agora te envolve
As algas que te encobriam pecados
São as que agora te protegem
As ondas que te amparavam as lágrimas
São aquelas que hoje te abraçam
Os pássaros que antes tocavam melodias de sedução
São os que hoje te avisam das tempestades
Foste jovem
Agora és sabia e parte da natureza

Chegas
Não dizes nada
O teu olhar diz tudo

– Queima


Puxas-me
bruscamente
Sem som
Beijas-me
até que eu
solte um gemido
Apertas-me
contra o peito
Sinto o teu perfume
Inebria-me mais
Despes-me
sofregamente
Com os olhos
Com os dedos
Com as mãos
Arrancas tudo
que se interponha
entre nós
Absorvo o teu calor
contra os seios e
a tua rigidez
Arrepias-me
o pescoço
com beijos afogueados
Atiras-me
Atiras-te
Desces
Ficas a
banquetear-te
Agora
sem pressa
Contorço-me
em descargas
Satisfeito vens
Soltas a língua na minha
Saboreamo-nos
E sem nada dizeres
Olhas-me nos olhos
Entras sem pedir licença
Não precisas
És o dono da casa
A porta está aberta
Espera
ansiosa
por ti

Infância perdida

Atiraste certeiro
Furaste-me os sonhos
Deixaste-me estilhaços no corpo
Cicatrizes na alma
Furtaste a inocência
Deportaste a felicidade
Rasgaste o que tinha de melhor
Foi-se
Perdido para sempre
Sou agora vagabundo neste mundo cego
Rastejo pelas ruas
Farejando pedaço de pão
Carinho e atenção faltam-me
Quando surgem recolho-me
Fecho-me na escuridão
Deves querer algo em troca
Não há amor
Não há compaixão
Mataram-me em vida
E comem-me os restos
Abutres de uma sociedade fantoche
Gananciosos
Podres
Putrefação mundial
Obrigado pelas vossas disputas fúteis
Agora querem o quê?

Podia escrever um texto, um poema ou dar a minha opinião sobre o Natal, mas não me apetece e a vocês também não 😅

Deixo-vos apenas um abraço e votos que sejam felizes, agora e sempre❤️Tudo de bom⭐️Boas Festas🥂

Amo amar-te
E nesta conexão desenfreada
Amo-me também
Recebo o calor que circula entre os nossos corpos
Abandonados deste mundo
Entregues a si mesmos
Dançando com a melodia da nossa paixão
Aquela que nos assoberba a alma e aquece o corpo
Que acelera corações
Ao ritmo de um comboio atrasado
Amo amar-te
E assim sentir-te em mim
Assim, sentir-me em ti
Amo
Amas

Podes falar comigo
Conseguirás ouvir-me?
Podes estar presente
Conseguirás fazer-te sentir?
Podes abraçar-me
Conseguirás aquecer-me?
Podes tocar a minha pele
Conseguirás tocar a minha alma?
Podes beijar-me
Conseguirás disparar-me o coração?
Podes dizer “amo-te”
Conseguirás mostrá-lo em ação?
Podes possuir-me
Conseguirás satisfazer-me?
Pergunta-te:
Será que basta o que tens para me oferecer?

Quando?

Quando é que sabes?
Quando é que percebes?
Quando é que achas que te perceberam?
Quando é que aquilo que disseste se ouviu?
Quando é que alguém realmente entende aquilo que sentes?
Quando é que não te sentes um estranho?
Quando é que a tua voz é entendida?
Será assim tão difícil?
Falarás a mesma língua?
Não me parece.
Faço desenhos
Pinto
Canto
Gesticulo
Ninguém entende
Sinto-me só
Ausente
Num barco que ruma ao infinito
E tu que te limitas
Porque me castras?
Porque não percebes?
Não!
Não sou como tu
Sinto-me diferente
Alienada
Ser de outra dimensão
Será assim tão difícil?
Porquê? Pergunto
Porque me fazes sentir tão…
Estranha