Prémio ‘Melhor Livro de Fantasia 2022’ Cordel d’Prata

Não podia deixar de partilhar com vocês, meus amigos, este sonho tornado realidade.

O meu livro 777 estava nomeado pela Editora Cordel d’Prata, na categoria de Melhor Livro de Fantasia 2022, e foi o vencedor! Na Gala de Autores, que decorreu sábado à noite, tive a honra, o privilégio e o orgulho de receber este prémio.

Nunca deixem de lutar pela realização dos vossos sonhos, não desistam, acreditem e persistam até conseguirem deixar o vosso coração a sorrir ⭐️💖

777

Aos primeiros raios de sol começaram a vislumbrar ao longe a areia. O brilho dourado espreitava por entre os verdes e convidava-os a avançar. À medida que a vegetação ia ficando para trás e a areia começava a avançar, a sensação de proteção ia, também ela, fugindo. O vazio era cada vez maior. Quanto mais avançavam mais areia surgia. Julie olhou para trás e os olhos despediram-se da mancha verde.

In 777 – Sara Carvalho

Não havia necessidade

Considero-me uma pessoa tolerante, que respeita os outros e aceita diferentes formas de viver. Não me acho superior ou melhor que ninguém e por isso não gosto de fazer juízos de valor. Nem aos meus filhos gosto de dar sermões, mas há certas situações que me irritam e levam a que, em certos dias, eu tenha necessidade de expelir esse veneno que me corrói.

Como tal, num desses dias, decidi escrever sobre algo que é do senso comum, mas que ainda não está totalmente enraizado.

Ficou enojada sempre que vou a uma casa de banho pública e vejo o seguinte:

Pessoas que não lavam as mãos

Será preciso explicar que a urina e as fezes estão carregadas de bactérias e lavar as mãos é a forma mais fácil e barata de prevenir infecções?

Ao longo do dia, levamos as mãos ao rosto, aos olhos, à boca. Puxamos o autoclismo, colocamos as mãos nos puxadores das portas, nos corrimões, na comida… já para não mencionar quem rói as unhas.

A correta higiene das mãos pode impedir que fiquemos doentes e interromper a transmissão de infeções virais, bacterianas ou parasitárias para outras pessoas. Depois de uma pandemia, em que fomos exortados a desinfetar as mãos a toda a hora, porque não manter o mesmo hábito quando usamos a casa de banho?

O mesmo é válido quando se trocam as fraldas ou se limpam os filhos ainda pequenos.

Igual para quando tossimos, espirramos ou nos assoamos. Quando andamos de transportes públicos ou seguramos carrinhos de compras. E existem inúmeras situações.

Usamos as mãos para tudo e rapidamente ficam contaminadas; devem ser regularmente lavadas.

Quando deixam a casa de banho suja

Normalmente, nós, senhoras, não nos sentamos e é possível que, por vezes, o chuveiro regue o assento da sanita deixando-a imprópria para quem se segue. Será que custa assim tanto agarrar num bocado de papel higiénico e limpar o que sujámos? E puxar o autoclismo? Também não custa, não dói.

Convém, no entanto, antes da descarga, baixar a tampa para evitar espalhar milhões de germes no ar. O mesmo para o número 2. Se ao defecar alguém deixar a sanita suja deveria limpá-la com o uso do piaçaba e fazer tantas descargas quantas as necessárias para limpar o que sujou.

Quantas vezes já nos aconteceu abrir a porta de uma casa de banho e fechá-la de imediato, nauseados?

Isto é válido para mulheres e homens, obviamente.

Outro assunto que trago, por último, e que também me irrita, são:

Pessoas que atiram lixo e beatas para o chão

Seja pela janela do carro, na rua, na praia, na mata ou em qualquer outro lugar que não seja um caixote do lixo.

Custa muito deixar o lixo de lado na porta do carro e deitar fora depois? Não, não custa porque eu faço-o.

Custa muito usar o cinzeiro? Não. Ninguém tem de levar com uma beata voadora; os motociclistas que o digam.

E na praia? Existem cinzeiros portáteis próprios, mas se não tiver, reúna tudo e antes de ir embora deixe-as no lugar próprio.

É tudo uma questão de respeito pelos outros, por si e pelo ambiente.

Artigo publicado hoje no Repórter Sombra – Sara Carvalho

777

Livro 777

O lenço escuro em torno da cabeça cobria os longos cabelos negros. Além do barulho dos cascos, que amassavam a terra fresca, ouviam-se barulhos vindos de dentro das árvores que, naquela altura, se aglomeravam de tal forma que parecia estar a atravessar uma densa e longa floresta. Mas não. Era apenas o maior oásis.

As aves despertavam e os ramos espreguiçavam-se quase tocando quem por ali passava.

In 777

777

A casa dele esperava por ela e acolheu-a de forma completa.

A cama abraçava-a, os lençóis escorregavam-lhe na pele, as mãos dele percorriam-lhe o corpo, a respiração ofegante aos ouvidos, os beijo prolongados, as pernas entrançadas, o cabelo colado, os gemidos presos que agora fugiam, a rigidez dos seios e a humidade dos sexos fizeram-nos rapidamente explodir como dois vulcões em erupção. O magma invadiu-lhes os corpos e fundiu-os num só.

In 777 – Sara B. Carvalho

Podia

Podia ter sido o que querias
Podia ter sido o que os meus pais desejavam
Podia ter sido o que os outros achavam
Podia…

Raramente somos tudo o que esperam de nós
(E se somos não estamos a ser verdadeiros)
Porquê?
Porque não há uma única pessoa igual a outra
Não existem duas mentes iguais
Ninguém vê a vida da mesma forma
Logo, ninguém vive da mesma maneira
Está errado?
Não.
Somos originais
Somos diferentes

Então porque é que
devias dizer, fazer e viver como qualquer outra pessoa?
Se és ímpar
Se és singular
Vive a tua vida de forma única
A tua!

IV Encontro Mulherio das Letras Portugal

Lançamento da Colectânea Mulherio das Letras Portugal – Poesia, Prosa e Conto

Não podia deixar de partilhar convosco o meu fim de semana literário.

No lindo Palácio Baldaya o programa do Mulherio das Letras Portugal encerrou as celebrações, dia 29 de maio, com o lançamento da Colectânea com o mesmo nome.

Este movimento iniciou-se no Brasil, quando a escritora Maria Valéria Rezende criou o Mulherio das Letras Nacional, em 2017.

Em Portugal, desde 2018, tem vindo a crescer e este ano esteve representado em vários pontos do nosso país.

Dirigido, de forma exemplar, pela escritora, produtora cultural e editora Adriana Mayrinck, administradora da In-Finita.

Adriana Mayrinck e as curadoras Sara Carvalho e Maria Antonieta Oliveira

Foi com enorme gosto e honra que terminei a programação de domingo com a palestra “A Mulher na Escrita” e com um momento musical, da responsabilidade da terapeuta musical Tatsiana Rakhmanava, em honra a todas as mulheres, em especial, este ano, as ucranianas.

Tatsiana Rakhmanava

A Pérola – III

Acordou de novo sozinha no escuro
Coberta de areia e cansada
Não percebia o que lhe acontecera
De novo as lágrimas caíram mas desta vez soluçou baixinho
para ninguém incomodar
Estava quebrada
E sem forças para se lamentar
Soterrada entre o pó
Deixou o tempo passar
O sol brilhou mas ela não o acompanhou
Estava demasiado enterrada
E os raios não a alcançavam

Um dia uma tempestade
de vento e grandes ondas fustigou as profundezas
Que atacadas tudo remexeram
E a pequena pérola arrastada foi
Perdeu os sentidos
Quando acordou estava à beira-mar
Reluzia no esplendor da areia dourada
A espuma beijava-a ao de leve
Um pequeno pássaro aproximou-se
Apenas para de perto a contemplar
Naquele momento apaixonaram-se
Com carinho
No bico a carregou
Chegado ao ninho a pousou
E desde aquele dia
nunca mais a deixou

A pequena pérola ao ser amada
E diariamente contemplada
Aumentou a sua luz e o seu valor
Agora é
por todas as aves do céu
A jóia mais cobiçada

A Pérola – II

De tão cansada adormecia

Só acordava

Quando os raios lhe tocavam

De novo o brilho resplandecente

A todos voltava a atrair

Um dia um mergulhador

Ao vê-la quieta a cintilar

Apanhou-a e numa caixinha

dourada fez questão de a levar

Estimou-a e mostrou-a

A tantos quantos se lembrou

Mas um dia esqueceu-se

E ela guardada

perdida ficou

Sem saber como

ao fundo do mar voltou

Talvez tivesse sonhado

Na noite seguinte

O mesmo sucedeu

Outro mergulhador viu-a

Pela sua beleza se apaixonou

E numa caixinha prateada a guardou

Pavoneou-se e gabou-se

Do fantástico tesourou que encontrou

Mas o tempo passou

E ela de novo esquecida ficou