num dia de março

Estamos praticamente a meio do mês e olhando para os dias de março com celebrações assinaladas, parece-me interessante fazer um balanço. Começámos no primeiro dia com o Dia Mundial da Proteção Civil, em que se organizam habitualmente simulações, exposições, ações de sensibilização e outras iniciativas que tentam informar e integrar a população em geral. No dia cinco celebra-se o Dia Mundial da Oração, cuja origem começou com um movimento de mulheres cristãs no século XIX nos Estados Unidos e no Canadá, que tinha como propósito a defesa de mulheres e crianças. Também se dedicavam a rezar pelas missões cristãs espalhadas pelo mundo todo. Dia sete assinala-se o Dia de Luto Nacional pelas Vítimas de Violência Doméstica, aprovado em fevereiro de 2019 pelo Conselho de Ministros, como forma de prestar tributo às vítimas de violência doméstica e às suas famílias. Dia oito, o Dia Internacional da Mulher, cujo principal objetivo é reconhecer a importância e contributo da mulher na sociedade, bem como recordar as conquistas das mulheres e a luta contra o preconceito, seja racial, sexual, político, cultural, linguístico ou económico. O dia onze assinala Dia Europeu das Vítimas de Terrorismo, em honra das vítimas de terrorismo e presta-se homenagem a todas as pessoas que perderam a vida em ataques terroristas, partilhando-se a dor dos familiares e dos amigos das vítimas de terrorismo. Hoje, dia quatorze, assinala-se o Dia do Pi, o Dia de Santa Matilde, o Dia Branco e o Dia da Incontinência Urinária.

Há uma maioritária relação nestas celebrações com a palavra mulher. Seja pela defesa que precisam através da oração; seja por serem as principais vítimas de violência doméstica; seja pelas conquistas, mas constantes lutas contra todo o tipo de preconceito. Isto, continua a provar que há ainda um longo caminho a percorrer para que as mulheres deixem de ser consideradas desfavorecidas. Muito já se conquistou, mas muito mais há ainda para conquistar. Todos temos o dever de combater celeremente esta descriminação. Em casa, desde cedo, ensinar os filhos que a violência (seja ela qual for) não é permitida nem negociada; na escola, os professores falarem abertamente nesse assunto e incentivarem a denuncia; nos media, publicidade para consciencialização social; vizinhos que se apercebam chamem a polícia, não finjam não saber; agentes de autoridade, médicos, associações, tribunais, governantes e leis adequadas que ajudem as vítimas a saírem ilesas dessas situações e que punam os agressores antes destes serem chamados de assassinos. Prevenir é melhor que remediar. E para a morte não há remédio. Mas, acima de tudo, parece-me a mim que o mais importante é a própria mulher tomar consciência que ela é uma vítima e não a causadora e merecedora de castigo. Que situações de violência verbal e/ou física seja em casa, na escola ou no trabalho precisam ser denunciadas, assim como o assédio sexual. O medo e o segredo dão mais poder ao agressor que se vai apoderando cada vez mais de uma vida que não é sua e da qual não tem qualquer direito de se apropriar. Quem ama não faz chantagem emocional. Quanto mais cedo esse ciclo vicioso for rompido, melhor. Não há desculpa para aqueles que se dizem o sexo forte continuarem a aproveitar-se do seu género para menosprezar, magoar, violentar e matar aquelas que escolheram para partilhar o lar, a cama, a vida e serem mães dos seus próprios filhos. Como é que eles serão quando crescerem? Como é que um filho fica ao ver a mãe ser maltratada pelo pai? Ao sentir-se impotente contra a violência do progenitor? A sentir na pele uma vida negra de injustiças? A casa ou o lar deve ser o local onde nos refugiamos, onde relaxamos, respiramos paz e não um campo de minas onde, a qualquer instante, pode começar uma guerra. Mulheres denunciem, gritem, defendam-se, saiam, afastem-se enquanto é tempo. Um dia pode ser tarde demais. Quem sabe, não seja cúmplice. Essa história de “entre marido e mulher não se mete a colher” não faz sentido quando um deles corre risco de vida. Todos temos a obrigação de ajudar quem está nessa situação, mesmo quando a pessoa ainda não consegue compreender ou aceitar que precisa de ajuda.

Que possamos um dia assinalar essas datas com uma estatística bem mais favorável do que aquela que temos hoje.

Publicado por Sara Carvalho

Chamo-me Sara Carvalho. Sou mãe de três filhos lindos, um deles com Síndrome de Down. São a minha grande paixão e inspiração para tentar ser, a cada dia, melhor. Curiosa de raíz, apaixonada pela vida e pela natureza. Adoro artes: ler e escrever - sobre os mistérios da vida, as emoções humanas, os pormenores; dançar; cantar (só para mim); cinema; espetáculos; concertos; exposições; viajar e ... sonhar com um futuro melhor. Um sonho que se transformou em objetivo: escrever um livro. Consegui! Mais sonhos? Não me faltam...

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