Era uma vez…

Era uma vez uma mulher chamada Fátima. Doméstica, com dois filhos, um na adolescência e outro a meio caminho; tratava da casa e da família.

O marido era o sustento do lar, possuindo uma empresa financeiramente próspera.
Fátima e o marido, por vezes, desentendiam-se e ela, sem querer, ia de encontro a ele e magoava-se. Coitado do homem, chegava cansado do trabalho e ela ainda o arreliava. Não fazia mal umas marcas no rosto. Eram de amor.

Um dia, o marido fez as malas e disse-lhe que ia sair de casa. A empregada lá do escritório convencera-o. Não fora preciso muito, afinal era muito mais bonita, jovem e elegante.
Deixou-lhe um ultimato: arranjar casa para vender aquela.

O mundo desabou-lhe aos pés. Perdera o seu grande amor e nem dinheiro tinha para comprar comida.
Começou a fazer umas limpezas, a pedir fiado e a recorrer aos idosos pais. Coitados. Nunca pensaram assistir a tal desfeita.

A tabuleta “Vende-se” foi colocada e a vivenda ficou à mercê de futuros compradores.

Uma coisa ajudou a Fátima: a depressão que levou ao desmoronamento, também, da casa. Não limpava, não arrumava, não cuidava. O pátio e o cão abandonados afugentavam quaisquer prováveis compradores que ali entrassem, ela fazia o resto.

Pouco tempo depois veio a notícia. O marido (sim, porque ainda era seu marido) ia ser pai de um filho da outra. Ele estava radiante, sentia-se rejuvenescido. O filho mais velho juntou-se ao pai e começou a trabalhar também na empresa. Sobrou Fátima e o filho mais novo num casarão tão desleixado quanto ela.

Entretanto, os pais dela morreram e surpresa – o marido voltou!
A jovem mulher deixara-o. Porque seria? Era tão bom partido.

Fátima recebeu-o e ficou feliz. Já que a casa não se vendeu e a mulher nova se foi, regressa-se ao primeiro lar e à velha mulher.

Esta é uma história verdadeira, apenas o nome foi alterado.

O que é feito hoje da Fátima? Não sei, nunca mais a vi.
Quero acreditar que é feliz, seja lá o que isso significa para ela.

Publicado por Sara Carvalho

Chamo-me Sara Carvalho. Sou mãe de três filhos lindos. São a minha grande paixão e inspiração para tentar ser cada dia melhor. Curiosa de raíz, apaixonada pela vida, pela natureza, por música, dança, letras e não só. Adoro artes: ler e escrever - sobre os mistérios da vida, as emoções humanas, Deus, fantasia, suspense, espiritualidade, poesia; musicais; cinema; espetáculos; concertos; teatro; bailado; exposições; fotografia; viajar e ... sonhar com um futuro melhor. Também sou instrutora de Pilates, desde 2006. Um sonho que se transformou num objetivo? Escrever um livro. Consegui! 777 é o seu título. É uma obra de fantasia com muita realidade à mistura. Também gosto de números e enigmas.

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