Ó tempo…

O tempo,um instante. FalasteFizesteAproveitasteAmaste? Maldito momento,já passou. Devia ter dito aquiloDevia ter feito diferenteDevia ter aproveitado melhorDevia ter amado mais Maldito tempo,já passou. Volta!Anda para trásDeixa-me apagarDeixa-me alterar O que não foi ditoO que não foi feitoO que não se aproveitouO que não se amou Maldito tempo,já passou. Aprende com o ontemVive o hojePrepara oContinue a ler “Ó tempo…”

Pelos cabelos

Não tomou a decisão de um dia para o outro. Pensou, ponderou, avaliou, chorou…Levava anos de cansaço, das lidas da casa, do trabalho, dos filhos, do bêbedo e chato do marido… estava extenuada. Sentia-se oca, vazia, a precisar respirar, a precisar viver.As responsabilidades infinitas; as contas intermináveis; as demandas constantes da família; os filhos sempreContinue a ler “Pelos cabelos”

Farta da escuridão que me rodeiaFarta das trevas que me travamCansada deste sufocoCansada de negroPreciso de luzUrge romper as teiasque me tecem o corpoQue me tiram a luz, o arA vidaPreciso fugirLibertar-meSentir a luzDar uso às asasEsticá-lasTocar no infinitoViver o raiar do solAfinal de que serviu a espera?Toda esta transformação?Senão para sair a voarChega deContinue a ler

És o que és

Podes correrPodes te esconderPodes fugirViajar até ao fim do mundoMergulhar fundoIr a péDe bicicletaMotaCarroBarcoOu aviãoPara o topo da montanhaOu para a gruta mais profundaEnfiar a cabeça na areiaOu debaixo de águaMaquilhar-teVestir outras roupasTrocar de casaMudar o cabeloImitar A ou BAfogar-te em gin, whisky,rum, vodka ou tequilaEncher-te de fumos váriosCalmantes ou excitantesOcupar-te com vícios milPodes tentarContinue a ler “És o que és”

Poesia ou poema?

Uns chamam-me poetaOutros poetisaAlguns de escritora,autora e talvez até de louca Uns dizem que escrevo poesiaOutros umas crónicas e contosAlguns chamam-lhe prosa poéticaOu ainda uns dizeres ou devaneios Talvez sejam apenas históriasOu desabafos Posso entrevistarQuestionarEscrevinharRabiscarDivagarE até rimar Se tem as métricas no lugarNão seiProvavelmente nãoSe tiver será obra do acaso Há quem gosteHá quem nãoContinue a ler “Poesia ou poema?”

Foge

Numa noite sem luarUma barca seguiaPor estreitos túneisSilenciosa pelo canalEscondida fugia Foge, foge Nas sombrasFunde-seConfunde-seFinta a fortuna Foge, foge Carrega o pesoUma vida perdidaUma alma vendidaTenta escapar à morteAchando que longeTerá a sua sorte Foge, foge PobreMal ela sabeA corrente que a levaSegue o curso da ruínaA meta espera-aVestida de lutoÉ lá que tudo culmina

Minha

LisboaAi Lisboa que me encantaBerço que em revolução me gerouNum dos ricos bairros me procriouTalvez por isso o meu coraçãoTenha até hoje a cor do leão LisboaAi Lisboa que me fascinaPorto de tantas marés e caravelasManténs a magia das sete colinasDo brilho prata das DescobertasTejo orgulhoso das cinco quinas LisboaAi Lisboa que me seduzCom oContinue a ler “Minha”