Sentiste?

Hoje senti o teu beijoDoce, brilhanteMolhado, prolongadoSenti o teu e o meuCoração aceleradoObservei-nos de foraComo quem admira um quadroTínhamos os olhos fechadosA proximidade que os corpos pediamO calor que emanavamO pecado que teimavam esconderEstranho ver de foraO que se sente por dentroFugíamos de encontro ao outroUm querer disfarçado de negaçãoJogar às escondidas e à apanhadaPercebiaContinue a ler “Sentiste?”

Prisão

Na escuridão das trevasDas noites infindáveisPassadas em caves esconsasCom cheiro a mofoNegros e confusos labirintosHumidade entranhada em longos túneisEsgotos putrificadosBecos e cavernas sem fimSobrevoados por corvosPovoados de morcegos, ratos e cobrasCaminhos sinuosos que conduzem ao fundo do poçoMentes trôpegas facilmente ludibriadasEscondidas da luz do diaSubsistem na podridão do bolorAssim vivem por décadasAté decidirem morrer ouContinue a ler “Prisão”

Por ti

Sempre que pediste fuiMesmo até onde não queria irSemprePor ti.És a minha perdiçãoPor tiFujoVou ao fim do mundoTraio a razão És a minha paixãoPor tiSaioConquistoRasgo a absolvição És o meu amorÉs a minha perdição NãoNão queroEstar longe de tiQuero-tePreciso tantoTantoDesta loucuraQue me consome o coração O teu cabelo sabe a salA tua pele a doceContinue a ler “Por ti”

Pensa

PENSA Como me tratasComo te afastasComo mentesComo te fechasComo me ignoras PENSANo que fazesNo que dizesNo que sentesComo vibrasComo falasComo ages PENSAPodes magoarPodes matar uma relaçãoÀs vezes nem precisas falarA tua expressão corporalcomunica por tiDo que te vai dentro PENSASerá por issoque ficarás conhecidoPela mentiraPela invejaPela conspiraçãoPela raivaPela indiferençaPelo azedume PENSAÉ isso que queres?O queContinue a ler “Pensa”

Medo

A margem ora se afigurava perto,ora longe demaisEmbalada pela suave melodia do rioobservava distante o que se queria na peleMas… aquele sentimento paralisava-aTolhia-lhe cada músculoAli permaneciaDesejando um milagre para que tudo acontecesse Nada Aquela mancha escura no peito crescia e alastrava-seCastrava-aQuanto mais desejava irmais inerte ficavaImaginava a vida no outro ladoFantasiava um novo mundoO medoContinue a ler “Medo”

Até quando

Acordaste cinza profundoCarregado de pedraEnvergonha-nos Respeito impõesSe nos decidires calarExplodes em trovões Quantas serão as precesQue ecoam no vazioQuanto será o sangueDas dores derramadasDas vidas vencidasEngoles as espessas almasQue acima se entregamQue pelo ódio perderam o serOs curvados pelo peso que carregam O pano estende-seChuva brumosaPaira imóvelSalpicos de amorDispersos pelo ventoQue poliniza o escuroCom gotículasContinue a ler “Até quando”