Existem situações que nos deixam um sentimento agridoce, mas este em especial deixa-me um fim de boca prolongado a ferro oxidado.

É fantástico tudo o que a NASA faz e o robô Perseverance que chegou a Marte é mais que uma prova disso. Um robô e um helicóptero em distantes terras vermelhas à procura de antigos sinais de vida. Interessante, sim. Nível de importância para mim? Baixo. Porquê? Chamem-me de ignorante ou o que quiserem, mas então o que é que se poderia melhorar aqui no planeta azul? E se esses milhões que são gastos para descobrir o planeta vermelho fossem utilizados para ajudar todos aqueles que padecem na terra? Para mim faria muito mais sentido. Tanta gente a passar fome, miséria, sem casa para dormir, desalojados sem um país, filhos sem pais, guerras, sem-abrigos, doenças sem possibilidade de tratamento… mas, saber o que se passou em Marte é super importante. Fechamos os olhos a este mundo e partimos para outro. Faz sentido… mas enfim, isto sou eu que sou parva e não percebo nada disto.

Amo.te

Podia também dizer que te adoro

Amo-te

Podia dizer que és muito importante

Amo.te

Ou que gosto muito de ti

Amo-te

Que a tua pele se encaixa, como um lego, na minha

Amo.te

Que a profundidade dos teus olhos são um oceano

Amo-te

Que as tuas possantes mãos são veludo em mim

Amo.te

Que os tempestuosos beijos gulosos são chocolate picante

Amo-te

Podia escrever resmas de papel

Amo.te

Gastar litros de tinta

Amo-te

Esgotar todo o abecedário dos apaixonados

Amo.Te

Mas de nada serviria se não provasse todos os dias que

Te.Amo

Palavras bonitas são melodia para os ouvidos, mas ações diárias são o verdadeiro alimento para o coração

Quantas queres?

Nascemos sem pedir, berramos a bem ou a mal e rapidamente nos retiram do colo de quem mais precisamos. Não parece ser um bom começo de vida. No entanto, vamos crescendo e queremos ser mais velhos para viver mais – ser adulto. A meio do percurso começamos a querer fazer anos em sentido inverso e quanto mais perto do fim chegamos mais parece que passou tudo a correr. Foi um instante.

Queremos e fazemos tudo ao nosso alcance para prolongar a nossa estadia. Não queremos que a viagem termine; apesar de todas as contrariedades, decepções, frustrações, injustiças, perdas, doenças e quedas vividas, queremos mais. Queremos também continuar a sentir as alegrias, as conquistas, os afectos, as realizações, os prazeres, os sonhos e o amor que a vida nos proporciona. Assim sendo, surgem-me algumas perguntas: se só temos uma vida, que nos foi oferecida, o que fazemos com ela? Estamos a aproveitar bem o tempo presente? Ninguém sabe quando parte, quando se vai; não trazemos prazo de validade. Como tal, parece-me bastante sábio e lógico vivermos o melhor que pudermos. Por exemplo, se trabalhamos mais de metade das nossas vidas, faz sentido fazermos algo que não gostamos? Ter uma profissão que não mexe connosco? Que não nos dá pica? Que não nos faz brilhar os olhos? Para mim, não faz sentido. Temos de ter prazer a viver e isso inclui fazer aquilo que gostamos na maior parte dos anos que por cá andarmos.

E ficar casado ou numa relação, toda uma vida, com alguém que já se deixou de amar? Faz sentido? Para quem? Porquê? Pelo dinheiro? Pelas aparências? Pelos filhos, muitos dirão. Mas se fossem os filhos a estarem casados com alguém que não os faz felizes, nós aprovaríamos? O mesmo se passa ao contrário. Porque quem ama quer ver o outro feliz. E os filhos querem, acima de tudo, pais felizes, mental e emocionalmente saudáveis.

Lembrem-se: só nos é dada uma vida. Cabe a cada um de nós fazer o melhor com ela; ou seja, ser feliz!

Há-de passar

Ele:

Volta

Volta para mim

Não me deixes abandonado nos lençóis da saudade

Ainda sinto o teu perfume no ar

Ainda sinto a tua respiração

E o teu corpo colado ao meu

Acordo com a invasão do calor

Tateio para te sentir

Sinto o espaço frio

O que é que ele tem que eu não tenho?

Engulo o orgulho envenenado

Agarro o telemóvel e ligo

Preciso ouvir a tua voz quente

Perguntas quem fala

Tremo por dentro

Mas sem coragem continuo ausente

Ela:

Sei que estás do outro lado

Sinto

Não precisas falar, eu sei

Sentes a minha falta

Porque não sentiste mais cedo?

Porque não me soubeste manter?

Porque não me deste ouvidos?

Agora dói-te

Eu sei

A tua ausência presente também me doeu durante muito tempo

Agora já não

Agora só te tenho numa lembrança distante

Os avisos e sinais são para ser levados em conta

Quem ama cuida sempre

Quando perde já é tarde

Deixa lá…

Há-de passar um dia

Memórias

Memórias

Nunca fui uma pessoa saudosa do passado, até porque tenho péssima memória, e esqueço tudo facilmente. Gosto de viver no presente, mas há recordações que nos marcam e ao relembrar uma delas, que guardo num cantinho florido, não consigo evitar, invariavelmente, rir-me. De mim e de toda a situação que vos vou contar.

Estávamos no verão de 89. Os meus pais tinham-se divorciado e fui passar férias para Monte Gordo, para casa da irmã do meu pai. Para não me sentir tão só, ele deixou-me levar duas amigas connosco. Na falta de quartos, ficávamos as três a dormir juntas no chão da sala. As noites quentes de agosto no Algarve vibravam de gente e energia, mas o meu pai fazia questão que estivéssemos sempre em casa por volta das onze, onze e meia. Supostamente, à meia-noite estaríamos a dormir.

A janela da sala com portadas em madeira e um rés do chão que dava para a rua eram o convite perfeito para uma escapadela noturna. Os inúmeros bares e discotecas que deixavam entrar quaisquer jovens senhoritas eram uma atração inevitável.

Esperávamos que a casa ficasse em absoluto silêncio e saltávamos a janela com todo o cuidado.

Nós só queríamos dançar.

Ub40, Doors, U2, Cyndi Lauper, Erasure, Roxette e muitos mais enchiam a pista e nós, em sintonia ritmada, só parávamos quando era hora de voltar. Três, quatro da manhã parecia-nos razoável para regressar ao repouso.

Fizemos isto algumas vezes até que numa das manhãs seguintes, ao pequeno-almoço, o meu pai disse que sabia de tudo. Senti um frio na espinha e o chão a fugir. Devo ter empalidecido.

O meu primo, que andava na tropa, havia regressado na noite anterior. Como não tinha chave, tinha batido à porta, como ninguém abriu foi bater-nos à janela. Na ausência de resposta, empurrou as portadas e voilá! Em vez de três moças deitadas no chão, haviam apenas almofadas. E foi assim que se acabaram as danças.

Uma coisa é certa- nunca mais voltei a fazer férias com amigas em casa da minha tia.

E vocês, também têm histórias destas? Contem-me! 🤩

Livros amigos

Acredito que este sentimento não seja só meu. Corrijam-me se estiver enganada.

O que sentimos quando terminamos de ler um livro, onde morámos durante dias, semanas ou meses? Viajámos com aquelas personagens, sustemos a respiração por elas, lemos sofregamente para ver o que acontecia a seguir ou saboreámos lentamente aquele repasto sem querermos que terminasse. Mas quando acaba… parece que um vazio se instala no peito, sentimos uma saudade antecipada por um amigo que se foi. Perdemos um bocadinho de nós. Temos de fazer um certo luto antes de nos entregarmos ao próximo. Deixar a memória repousar, respeitar aquela perda. 

Sentimento semelhante também me acontece quando andamos enamorados de uma série. Quando ela acaba, fica um buraco no peito.

É mesmo assim, não é? Ou sou só eu?

Foto por fotografierende em Pexels.com

A culpa é do Mercúrio

Há alturas na vida em que parece que nada corre bem ou parece estar simplesmente estagnado como água podre numa poça, que só atrai mosquitagem. Alturas em que tudo nos chateia e em que tudo o que não presta é atraído, qual íman, a nós. Dizem que a culpa é do Mercúrio que está retrógrado. Não sei. Sei que ninguém tem paciência para nos aturar assim, nem nós mesmos! Todos se afastam da água sebosa e nojenta, mas todos têm essas “crises”. Se não têm, não são humanos. Diz-se que quem não sente não é filho de boa gente. Eu sei que sou filha de boa gente e o problema, às vezes, é sentir demasiado. É ver demasiadas notícias, é ficar demasiado tempo fechada em casa, é querer ver a resolução de certas coisas que não dependem de mim. 

Era bom ter sempre palavras bonitas e de incentivo para dizer, sim era. Não seria normal mas é o que se espera. Azar, sou humana. Não tenho sempre textos e poesias de elevação espiritual, de ânimo e confiança. Não tenho sempre um arco-íris pronto a saltar do bolso. Costumo ter. Tipo, 330 dias por ano. Depois, há os outros que escapam. É giro ver quem fica nesses. Mas a culpa não é minha, nem de ninguém. Dizem que é do Mercúrio e que é normal tal acontecer três ou quatro vezes por ano. Dizem que é a altura para desacelerar, para repensar, revisar… Mais ainda Mercúrio?!

(Apesar de ter escrito este texto hoje, hoje foi um dia top👌🏻)

Finjo (não) ver

Finjo não saber

Para não ter de sentir

Prefiro não ver

Para não me incomodar

Fujo de ouvir

Para não me importunar

Escolho viver longe daqui

Mudo-me para outra realidade

Esta é insuportável

Prefiro sonhar

Escolho escrever

E de tudo me abstrair

Nada posso fazer

A verdade magoa

A inércia também

A injustiça impera

E a impotência é mãe

Justiça?

Pode alguém ser condenado por procurar a felicidade?

Pode alguém ser exultado por permanecer em sofrimento?

Pode alguém ser julgado pelas suas decisões?

Pode alguém ser valorizado por manter a capa do fingimento?

Pode alguém ser apartado por ser quem é?

Pode alguém ser louvado por mostrar o que não é?

Pode haver justiça entre injustos?

Perdi-te

Olhei em volta e não te vi

Procurei-te, mas já não estavas

Desapareceste

O que será de mim?

Não te dei ouvidos

Desvalorizei os sintomas

Ignorei os conselhos

Achei que eras minha

Deduzi que nada te faria ir

Não escutei

Não observei

Calculei que ali ficarias

Peça de arte

Parte da decoração

Eras garantida

Um dado adquirido que não nos pode ser tirado

Mas foste

Quando fui ver já não estavas

Descurei-te

Não percebi o que falavas

Achei que era apenas a tua imaginação

Voos de uma mente de poeta

Afinal não

Desvalorizei-te

Subestimei o que dizias

Fechei os ouvidos aos gritos

Ignorei as discussões

Tudo passa, pensei

Voltamos sempre ao que éramos

Mas não, não voltámos

Tu foste e contigo levaste o meu coração

Não tens culpa

Hoje sei

Agora irei empenhar-me

Não contigo, não voltas

Talvez com outro alguém

Que me volte a amar