Permita-se brindar consigo mesmo. Permita-se gostar de si, das batalhas ganhas, das marcas sofridas.
Aceitar o bom que somos e o mau que fazemos por transformar. Compreender que tudo tem o seu tempo. Sermos mais flexíveis connosco e não levar a vida tão a sério. Perdoar a nós e aos outros; amar a nós e aos outros; sonhar; acreditar e dançar ao som de uma boa música. Encher o copo e saborear. Deixar o palato apreciar a bebida de Baco e conduzir os pensamentos ao prazer da nossa singular companhia. Somos especiais, únicos. Não há ninguém igual no mundo.
Sigamos a estrada tentando desviar-nos dos buracos e abrandando nas lombas, sem deixar de apreciar a paisagem, e continuar rumo ao nosso destino. Se furarmos um pneu ou tivermos uma avaria que nos obrigue a parar, não nos irritemos, é passageiro. Deixemos toda a bagagem extra para trás; tudo que não nos permita seguir leves. Aumentemos o som do rádio e cantemos a plenos pulmões libertando qualquer energia escura que nos aperte o peito. Libertar. Deixar ir. Não nos demoremos com o que não nos eleva.
Ser pacientes. Por vezes, a estrada sinuosa e os atalhos em que nos perdemos são necessários. São aprendizagens, ensinamentos que nos tornam mais sábios à medida que os ultrapassamos graciosamente. Entendamos que alguém que conhecemos e demos boleia ficou pelo caminho, não seguindo connosco, era porque tinha o seu próprio percurso a fazer, diferente do nosso. E está tudo bem. Novos companheiros de viagem iremos encontrar. Uns irão abandonar-nos, outros irão acompanhar-nos. A vida encarrega-se de decidir isso por nós, por isso não forcemos nada. Não é preciso. Basta confiar. Sentir. Acreditar. O Universo cuida daqueles que nele confiam e dá-lhes o necessário.
Encontra a alegria e a motivação do teu coração, segue-as. Persiste até encontrar. E brinda! Brinda à vida, brinda a ti!

Jogaste sujo
com as cartas que te ofereci
Embaralhaste e distribuíste
Por baixo da mesa batota fizeste
Apostei tudo em ti
Arrisquei
Dei-te os dados do meu coração
Sopraste e lançaste-os
A sorte esteve do teu lado
Na roleta francesa perdi
Saí de bolsos e alma vazia
Quebraste as regras do jogo
Deitaste as fichas todas
Espalhadas caíram ao chão
Com elas foi-se o meu amor
Restou apenas desilusão

Volta pra mim

Acordei sozinho
A cama despida de ti
Fechei de novo os olhos
Deve ter sido um sonho
Ainda te sinto presente
Não é possível teres ido
Reconstruí e alinhei os pensamentos
Estavam confusos
Baralham-se sem a tua orientação
Que faço agora?
O meu coração acelera
Só de recordar o teu rosto:
único, belo e exótico
A suavidade da tua pele
que absorvia a minha
O doce dos teus lábios
que sorviam os meus
O calor do teu corpo
que soltava o selvagem…
Que será de mim?
Quero voltar a dormir
Trazer-te para perto
Preciso ter-te
Preciso respirar
E tu és o meu ar

Quero adormecer e voltar a sonhar…

Folha de outono

Folha perene
Balança inocente
Na melodia alaranjada
De quem tudo perdeu
E está pronta a recomeçar
Lâmina de madeira seca
Espalha-se em manto pardo
Inocente aos olhares e legados
Conhece a incerteza do amanhã
e a caducidade sempre presente
Assume a sua essência
Renova-se
Aceita o porvir
Vive o momento e
no tempo certo
Parte livremente

Gratidão

Sou eternamente grata
Por tantos anjos que me protegem
Divinos seres alados
Que sem se verem estão alertas
Tanta gente que é atraída a mim
Purpurinas de mil cores
Chegam sem sabermos como

Sou infinitamente grata
Por todos aqueles com quem
não quero mais lidar
Serem afastados de mim
Sem muitas vezes saber como
Sem precisar nada fazer
Apenas ter esse sentimento

Orar
Confiar
Esperar
E como por magia
Com uns pós de Prilimpimpim
Puff… desaparecem

A lei da atração e da frequência em ação
Não há nada mais belo e libertador
Saber que o que precisamos vem
E o que nos faz mal vai
Sê luz, pratica o bem e o mesmo receberás

Obrigada Deus por cuidares assim de mim

Tantos rostos
perdidos na multidão
Tantas rugas
que marcam vidas
Tantas histórias
por contar
Tantas dores
ocultas
Casos naufragados
Sonhos desmaiados
Lembranças idas
Saudades aguerridas
Conterrâneos esquecidos
Sinais de um tempo que se foi
Sulcos das sementeiras
que a tempestade levou
Raízes arrancadas
Escaras abertas
Ao vento deixadas a secar
Corpos mutilados por dentro
Sentimentos enrolados
em novelos de lã escondidos
Amores desabotoados
Vítimas de um mundo perdido

Livro 777

Vontade declamada
Em pontas dos dedos rimada
Tinta eterna
Guarda o pulsar
De um coração
Que quieto não sabe estar

Hoje, dia 7 setembro, faz 7 meses desde o meu aniversário em 7 fevereiro e 3 dias desde o lançamento do meu livro. Dois números que me são especiais: o 7 e o 3 – 777. E está na altura de agradecer a tod@s que têm passado pela minha vida e deixado de alguma forma o seu toque positivo; ajudado no meu crescimento; divulgado a minha paixão e acreditado em mim.

Adoro ler, desde sempre, e escrever também como forma de expressão e libertação. Nunca o havia feito publicamente até outubro do ano passado, altura em que abri a página cenasdescritas e que terminei a escrita, revisão e correção do meu primeiro livro – 777 – o meu bebé. Um livro de ficção, fantasia, magia e realidade misturados numa viagem que nos envolve e transporta para uma dimensão espiritual do mundo sobrenatural.

Agradeço a todos que estiveram presentes no seu lançamento e todos aqueles que o adquiriram e estão a ler.

Espero que gostem porque este será o primeiro de uma trilogia que já está a ser preparada. Tenho muito trabalho pela frente, por isso convido-vos a continuarem nesta caminhada comigo acompanhando-me e dando-me o vosso feedback. Com ajuda fica sempre mais fácil ❤️Muito obrigada🙏🏼

Livro disponível: Feira do Livro de Lisboa – Editora Cordel D’ Prata – B23; página http://www.cordeldeprata.pt; por mensagem no blog ou página FB: https://www.facebook.com/cenasdescritas.saracarvalho/ e Instagram: https://www.instagram.com/cenasdescritas.saracarvalho/

Sozinha em casa? (Parte I)

A noite espalhada no alcatrão refletia o sentimento que lhe consumia o peito. Passava pouco da uma da manhã. O prédio da frente espreitava por entre as cortinas do quarto. Parecia sussurrar-lhe algo, apesar do silêncio desmedido. As janelas escuras, sem estores, afiguravam olhos encovados atentos à vida que, naquele momento, era nula. Pareceu-lhe ver qualquer coisa numa das janelas do primeiro andar. Talvez reflexo de algum farol de um carro que apareceria em breve, mas não. A estrada não se mexeu. Impossível, pensou. A viúva morrera sem deixar herdeiros e sempre vivera sozinha, pelo menos nos últimos vinte anos. Arregalou mais os olhos, fixou-os e susteve a respiração; como se ajudasse a apurar a visão. Nada. A casa acusava o gasto dos anos e desde o falecimento da dona que se tornara ainda mais abatida. Decidiu correr as cortinas e deitar-se. Ouviu um ruído no andar de baixo. Teria deixado alguma janela aberta? Decidiu verificar e desceu. Para seu espanto, a porta da rua estava entreaberta e balançava suavemente com o vento. O ciciar das árvores ecoava pelo hall. Arrepiou-se e sentiu o tórax acelerado. Espreitou a rua, não viu nada, trancou a porta. Tentou recordar-se, quando entrarara, se a tinha fechado; tinha quase a certeza que sim mas, desde que a depressão se instaurara, tinha algumas perdas de memória. Um novo ruído vindo da cozinha congelou-a. Sentia o coração a bater-lhe nas orelhas enquanto pensava o que fazer. Decidiu, a custo, avançar lentamente. O ranger das tábuas velhas denunciavam-na e obrigavam-na a abrandar, ainda mais. O batimento cardíaco parecia o pulsar das paredes. Estancou na entrada. A luz ténue vinda da janela das traseiras iluminava apenas um feixe da bancada de pedra. Todo o resto dormia. As panelas e utensílios arrumados e alinhados sobre o lava loiça estavam iguais ao costume. Mas algo diferente naquele quadro chamou-lhe a atenção. Uma mancha escura pincelada no chão de azulejo. Fremia sobremodo, num êxtase nervoso que a impedia de respirar. Acendeu a luz e horrorizada percebeu que era um rasto de sangue. Ainda fresco. Quem está aí, atreveu-se, tremulamente, a perguntar. Silêncio. Os rasgos iam na direção da dispensa…

Desafio para setembro – Quem conta um conto acrescenta um ponto.

Vou contar-vos um conto e desafio-vos a acrescentarem todos os pontos que quiserem para continuarem a história. A primeira parte está feita, a segunda fica na vossa imaginação. Bora lá!

777

O meu livro já está disponível na banca da editora Cordel D’ Prata (B23) – Feira do Livro de Lisboa, apesar do lançamento oficial ser no dia 4 setembro às 20:20 no auditório poente (topo do parque). Espero lá por vocês!

Deixo-vos com um poema adequado ao sentimento:

Compro os sonhos que a infância roubou
Não me permito ficar pobre
Aceito voltar a sonhar
Recomeço do zero e resgato
Tudo que deixei nas nuvens
Salto e volto a saltar
Até os conseguir apanhar
Trago-os ao colo
Junto ao coração
Embalo-os
Acaricio-os
Beijo-os
Permito-me ser quem sou
Volto a dar-lhes vida
Trago as pontas cor de rosa à tona
E mergulho com elas nos pés
Desta vez não as largo
Desta vez vou até ao fim
Largo tudo e recomeço
Por mim

Vive o sonho

Por muito que te digam não
Por muito que te digam para fazer diferente
Por muito que te critiquem
Por muito que se riam
Por muito que te apontem o dedo
Por muito que duvidem de ti
__ nisso
Segue o teu coração
Faz o que te apetece
Ouve o teu Eu mais interior
Não dês ouvidos ao ruído de fundo
Segue os teus sonhos
Faz acontecer os teus desejos
No fim, quem se vai rir és tu!