Vida(s)

Já vivi vidas de mil cores
Vidas a preto e branco

Vidas com mil sabores
Vidas insossas
Doces e salgadas

Vivi histórias completas
Frases inacabadas
Interrogações
Pontos finais
Parágrafos

Quero viver

Mil vidas em tons de cinza
Vidas fluorescentes
Salpicos de cor em fundos virgens
Néon a piscar numa sala escura

Vidas bem temperadas
Com sabores de todo o mundo
Com gengibre e limão
Picantes e arrepiantes

Faltam-me contos por terminar
Poemas inacabados
Biografias por contar

Vivi muito
Quero mais
Muito mais

Há dias que nos dizem, ou lemos, algo que é mesmo aquilo que precisávamos de ouvir. Ontem, foi um desses dias quando li este post do Manuel Clemente.
Apesar de concordar e partilhar da mesma opinião “desde sempre”, há certas coisas que parece que esquecemos e é ótimo ter quem nos avive a memória.

Por vezes, insistimos em situações, relações, que sabemos que já não estão a funcionar, mas mesmo assim teimamos em continuar.
É como tentar enroscar um parafuso numa porca já gasta; por muito que apertemos não vai dar. Vamos ter de desistir e arranjar outros novos.

Assim é também com algumas pessoas com as quais nos importamos, mas cujo sentimento não é recíproco. Temos de perceber que há uma altura certa para desistir de apertar. Desistir de insistir. E isso não é cobardia, é sabedoria. É afastarmo-nos daquilo que além de não nos fazer bem, ainda nos faz mal.

Não aceites menos do que mereces!


Grata Manuel Clemente

Nem… Há sempre

Nem sempre a vida corre como planeamos
Nem sempre conseguimos o que imaginamos
Nem sempre chegamos onde queremos

Nem sempre tiramos o curso que imaginámos
Nem sempre temos a profissão que sonhámos
Nem sempre nos apaixonamos pela pessoa certa

Nem todos os caminhos vão dar a Roma
(Em Veneza, por exemplo,
vão dar à água)
Nem todas as ruas têm saída
Nem todas as pontes merecem ser atravessadas

Nem sempre fazemos as melhores escolhas
Nem sempre somos entendidos
Nem sempre compreendemos os outros

Nem sempre temos de nos justificar
Nem sempre temos de aceitar tudo e estar bem
Nem todos merecem a nossa consideração

Mas…
(Há sempre um mas…)

Todos os dias podemos tentar ser melhor
Todos os dias podemos aprender
Todos os dias podemos escolher como reagir

Há sempre possibilidades infinitas de, a cada novo dia, fazermos diferente!

Família (in)feliz


Artigo publicado ontem no @Repórter Sombra

Há uns anos, na época em que os restaurantes chineses ainda estavam na moda, existia no menu um prato chamado “Família feliz”, que ainda se tornava mais divertido quando dito pelo “emplegado”. Era uma combinação de diferentes ingredientes, cores e sabores distintos, que, unidos pelo mesmo molho, faziam o deleite de quem o escolhia. Cada um tinha o seu papel e importância; não seria o mesmo se faltasse algum deles.

Nas famílias também existem uma série de indivíduos diferentes, com características únicas, que estão unidos pelo mesmo sangue.
Cada um tem o seu feitio, personalidade, interesses e forma singular de viver a vida. O facto de existirem laços de sangue não faz daquelas pessoas siamesas, nem concordantes em tudo.

Nem sempre as famílias compreendem e aceitam as nossas escolhas. Quando assim é, o que fazer? Cortar com os laços ou mudarmos para agradar?

Há quem defenda que, apesar de geneticamente pertencermos a um grupo, por vezes, o que nos une são os laços de coração, os mais valiosos.

Por outro lado, há quem sustente que a família de berço é a mais importante e nunca deve ser abandonada, nem esquecida.

Então, e aqueles casos em que os familiares abusam dos seus menores? Ou existe violência doméstica?Abandono? Maus tratos e desrespeito? Ou qualquer outro tipo de comportamento doentio, maldoso, traidor e contrário ao esperado?

Não será válido, nesses casos, a consanguinidade não servir para muito? A não ser para tornar a dor ainda maior?

Quantos, se pudessem, não substituíam algum ou alguns membros da família? Quantos fazem de conta que eles nem existem? Quantos dão familiares como mortos, ainda em vida?

No entanto, há seres que se tornam família sem o serem. Pais, filhos e irmãos de diferentes mães. Substituem com grande distinção os herdeiros legais ao título.
Por isso, todos já ouvimos que “pai e mãe não é quem gerou o filho, mas quem o criou.”

Alguns amigos tornam-se tão chegados, que ganham um lugar no coração.
E, não será aí que os laços
falam mais alto?
Afinal, do que adianta termos o mesmo sangue, sermos da mesma família, mas não praticarmos a bondade, a aceitação, o perdão e o amor?

A família é deveras importante, mas, mais ainda, não será podermos ser quem somos?

A MAR

Hoje abracei o mar
Recebi-o de braços abertos
Vestida com um sorriso largo
Entreguei-me
Deixei que ele tomasse conta de mim
Permiti que me envolvesse o corpo e a alma
Aceitei a ondulação
Absorvi a frescura
Senti-lhe a cadência
Cada onda
Cada pulsar
Saboreei-lhe o tempero
Envolvi-me de sal e espuma
Inebriei-me com a sua beleza e profundidade
Deixei a areia vaguear-me na pele
Juntos éramos um só
Despedi-me e consenti que ele tomasse conta de mim
Fiquei com sabor A(mar)

Balanço

Artigo publicado hoje no Repórter Sombra

Em jeito de resumo, destes seis meses de 2022, ficam-me alguns assuntos que sobressaíram e fizeram-me escrever este artigo.

O primeiro, claro, a covid-19, e as suas múltiplas variantes, e consequências nefastas. Aprendemos a conviver com esta praga e a assumi-la como parte integrante das nossas vidas. Ainda a recuperar de dois anos atípicos, a esperança de um novo ano, um novo recomeço, e um novo respirar, imperava.

Eis que se abate sobre nós outra bomba – uma guerra às portas da Europa! Um país a ser invadido e usurpado, descaradamente, por um ditador. Famílias separadas, atormentadas, mutiladas, deslocadas e uma crise económica de proporções internacionais.

«O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) avisa que, “se tudo se mantiver como está, a nível político e económico, Portugal cairá para o quarto pior da Europa” no que ao poder de compra diz respeito.»

A subida, constante, dos combustíveis parece uma brincadeira de mau gosto sem fim à vista. Juntaram-se os preços ascendentes dos cereais e todos os bens alimentares, consequentemente. Está impossível abastecer o carro e a despensa.

Por outro lado, estamos num país em obras. Não há um único lugar que não tenha homens a trabalhar com betoneiras, escavadoras, buracos no chão, tapumes, estradas cortadas, caminhos desviados… e muito pó. Uma constante gincana.

Já no turismo, Portugal parece o novo paraíso na terra. Casas, prédios, propriedades, quarteirões – tudo a ser comprado por milhões. Rendas exorbitantes e um mercado imobiliário mais alto que nunca. Percebemos que isto só está bom para quem vem de fora e não depende dos ordenados tugas. Ou, então, é amigo de um Ricardo Salgado, Rendeiro ou Sócrates.

Não sei se por tudo isto, ou não, as mortes e agressões a crianças e a mulheres aumentaram. Não se entende, choca-nos, e deixa-nos a pensar “onde é que isto irá parar.”

Esperemos que os próximos seis meses sejam melhores que estes e, sobretudo, que a guerra acabe, mas (só cá para nós), duvido.

Ao menos, que venha o verão para animar a malta porque, até agora, nem isso!

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico

Passatempo ou curiosidade?

Num destes fins de semana, fiz algo, que já não fazia há algum tempo, e que adoro – observar a espécie humana.

Sem que reparassem, fiquei quieta, de óculos escuros, apenas a assistir.

Enquanto decorria um casamento no bar da praia e os noivos dançavam para gáudio dos convivas, o fado soava pela areia, e pessoas (como eu), alheias à festa, aproveitavam o bom tempo à beira-mar.

Um casal de nadadores salvadores, que me pareceram jovens demais para conseguirem salvar alguém, divertiam-se, a conversar, enquanto comiam as suas sandes, embrulhadas em papel de alumínio. Uma coluna com música techno animava o rapaz nadador que, com óculos espelhados, dançava parecendo estar numa discoteca.

À minha frente, uma filha adolescente e o respetivo namorado, partilhavam uns headphones e cantarolavam música funk, enquanto a mãe, esticada, apanhava sol. Entretanto, o jovem casal decidiu ir à água enquanto a senhora reclamava, com eles, porque estava a ficar frio e não iriam secar. Sozinha, decidiu comer um daqueles queques de supermercado, embrulhados em pacotes transparentes. Enquanto mastigava, apercebi-me da falta de dentição, que a obrigava a um movimento estranho e oscilante entre lábios, bochechas e maxilares.

Nisto, o meu filho mais novo para de jogar à bola e vem ter comigo, dá-me uns beijinhos e volta para de onde viera. A senhora fica a observá-lo espantada. Depois saca de um pacote de Cheetos e continua com o seu prazer.

Do meu lado direito, um senhor, que deduzi ser o pai de uma menina com uns treze ou quatorze anos. Ele devorava um livro, que me esforcei para ver o nome, mas apenas li a palavra “amor”. A miúda, notoriamente entediada, ia comendo uns pêssegos.

Os miúdos vieram e fui jogar raquetes com eles. Terminámos, e a miúda do lado continuava à espera que o pai largasse o livro. Naquele momento, já batia bolas sozinha, na sua raqueta, depois de ter pedido ao pai que jogasse com ela. Não percebi o que ele disse, mas continuou a ler.

Estive quase a oferecer-me para jogar com ela, mas podiam levar a mal e fiquei quieta.

Passados uns dez ou quinze minutos, lá lhe fez a vontade.

O jovem casal saiu da água e falavam alto entre os três. A mãe, depois de limpar as mãos às pernas, agarrou no telemóvel e simulou diversas expressões sexys enquanto tirava umas selfies.

Mais afetos trocados com o meu mais novo, e a senhora, de parca dentição, derrete-se, sorrindo para nós.

No bar, o noivo, de chapéu branco à cowboy, agarrado à sua noiva, discursa. Afinal, é o seu casamento, estão felizes, e têm a vida toda pela frente.

Eu e a família agarrámos nas coisas e fomos andando.

Talvez, um dia, também leia sobre nós em algum lado…

Um dia…

Vou construir uma casa
no terreno da saúde
no bairro da felicidade
na rua da esperança
com vista para o mar

Vou plantar árvores
Semear ervas aromáticas e frutos suculentos
Terá telhas de prata

O sol será Senhor e Rei
O brilho dela atrairá
todos que por bem vierem
Aves com penas de mil cores
Borboletas com cheiro de delicadas flores

Os canteiros perfumam o ar
No alpendre impera o aroma a café
Baloiços e camas de rede
Convidam à brincadeira
e ao descanso

Na mesa, frutas variadas
despertam o paladar
Nas traseiras, água a correr
Uma fonte viva
que nos dá de beber
E tudo faz florescer

No primeiro andar
música clássica
foge pela larga janela entreaberta
Na planície tranquila
lençóis brancos imaculados
de citrinos perfumados
Convidam os donos
a expressarem o seu fervor e
a selarem o seu amor

No Reino da Paz

Prémio ‘Melhor Livro de Fantasia 2022’ Cordel d’Prata

Não podia deixar de partilhar com vocês, meus amigos, este sonho tornado realidade.

O meu livro 777 estava nomeado pela Editora Cordel d’Prata, na categoria de Melhor Livro de Fantasia 2022, e foi o vencedor! Na Gala de Autores, que decorreu sábado à noite, tive a honra, o privilégio e o orgulho de receber este prémio.

Nunca deixem de lutar pela realização dos vossos sonhos, não desistam, acreditem e persistam até conseguirem deixar o vosso coração a sorrir ⭐️💖