Rostos sem nome
Passam em frente
À janela da minha lente
Para onde vão
O que fazem
O que já viveram
Quem são
Curiosa imagino
Dou-lhes uma vida
Crio o enredo
Atarefados seguem
Sem reparar
Embrenhados no chão
Esmiuçam a calçada e o alcatrão
Caminham sem tempo
Alguns sem futuro
Outros no passado
Arrastam pedregulhos
Almas indiferentes
Ao registo fotográfico
Que os meus olhos captam
Talvez para mais tarde recordar
E com eles uma história inventar

Não quero
outra noite só
Vou-me arranjar
Inebriar a alma
Aquecer o corpo
E sair
Percorrer a noite
Saborear os bares
Deixar que a lua me guie

Os saltos altos
As meias de liga
O vestido justo
a lamber a coxa
O decote fresco
deixa a renda espreitar
E o colo apanhar ar
Os olhos a negrito
piscam lento
com o peso do gin a subir
e a conversa banal a fluir
Puxo de um cigarro
E espero
Quantos isqueiros se acendem
Quem oferece mais um copo

Volto para casa
De sapatos na mão
Deito-me e esqueço-me
porque saí

Segue livre
Perfeito
Fluído
Alheio aos receosos
Com destino marcado
Indiferente
Aos estagnados
Ou nervosos
Ruma
Força da natureza
Deixa-te levar
Segue sem forçar
No leito do rio ou do mar
Entrega-te à vida
Vive para amar

Let it go

Nem sempre obtemos os resultados que desejamos, mas as escolhas são sempre da nossa responsabilidade.

Três minutos antes de tirar esta fotografia decidi fazer algo arriscado que tinha tudo para correr mal. Dei por mim de pernas para o ar, rabo na areia, a ver estrelas. Claro!

Algo dentro da minha cabeça disse que não era boa ideia e outra parte de mim (a que não pensa) disse ‘bora lá!’
Fiquei estatelada no meio do chão e ri-me até mais não. Nem sei como é que fui a única. Penso que toda a gente ficou tão surpresa que nem se riram (para meu espanto e agrado). Mas eu sim e não conseguia parar cada vez que me lembrava da minha estupidez.

Este é um assunto pouco importante, mas existem situações mais sérias que nos marcam.

O que fazemos com o resultado das nossas escolhas faz a diferença. Podemos nos martirizar ou aprender com isso e deixar ir (let it go). Ficar a relembrar e presos na situação (stuck in a moment) de forma negativa não é bom.

Correu bem? Boa para mim. Correu mal? Paciência, foi uma experiência. Assumir os erros e perguntar: ‘O que aprendi disso?’
Este deveria ser o espírito leve com que encaramos a vida e as nossas escolhas, mesmo as que saem ao lado.
Já dizia o Toy: “solta-te, liberta-te…”

Bom fim de semana, cheio de risos.

Penas brilhantes
repletas de floresta e fogo
Cheiro de manga e papaia
Vestido a rigor
Raios de sol na crista
Bico lacre e carvão
Canta livre pela manhã
Voa e cruza os vales encantados
Repousa nos braços das mães
Que imponentes abrigam do calor
todos os que a ela acolhem
em busca de paz e (re)pouso
Liberto de amarras, anilhas e cadeias
Plana e segue o instinto
Flutua com as correntes de ar quente
Estende as asas e mostra a sua beleza
sem pudores ou preconceitos
Apenas é
Deixa-se levar e em união com a natureza
São um só no universo
Deixa-se cair a pique
Confia
Sabe que as asas não falham
Vive sem medos
Assim sou

Sempre
Foste sempre tu
Somente tu
Sinónimo da palavra amor
Aquela que abarca tudo mas de nada vale se não for sentida
Sim
Tu
Só tu
fazias-me sentir
Os arrepios na pele
O cheiro inebriante
A cabeça tonta
As pernas bambas
Outros tentaram, sim
Eu também
De outras bocas bebi
Noutros corpos viajei
Mas nunca consegui
Apagar o sabor do teu beijo
O calor da tua pele
A intensidade dos nossos corpos
Foste tu
Somente tu
A quem a palavra amor encaixou na perfeição
Tu
O eterno dono do meu coração

A partir de agora, uma vez por semana, irei partilhar alguma frase, ideia ou livros que li e gostei.

Continuarei também a partilhar aquilo que escrevo e algumas partes e curiosidades do meu livro – 777.

Tenho por hábito ler, entre romances e policiais, um livro de conhecimento e desenvolvimento pessoal.

Hoje, terminei o livro As sete leis espirituais do sucesso, do autor Deepak Chopra, cujas fotografias deixo como aperitivo. Aconselho vivamente. É sabedoria em forma de alimento espiritual prático para a alma.

Gostei muito; andei a saboreá-lo e a ruminá-lo de tal maneira que foi comigo de férias e voltou 😅 Um livro que se lê bem num dia, mas que protelei por duas semanas.

Existem livros que reivindicam uma meditação e tempo de absorção prolongados.
Outros, por vezes, quando estou a gostar muito e não quero que acabem, começo a desacelerar.

Também vos acontece?
Coloquem as vossas questões e deixem as opiniões.

Juntos

Deixaste que a minha pele te saboreasse
Deixaste que o meu olfacto te inalasse

Deixei que a tua boca me sorvesse
Deixei que as tuas mãos me percorressem

Permitiste envolver-te nos meus braços
Permitiste dar vida aos teus desejos ocultos

Permiti ser-te submissa quando o vindicaste
Permiti que o meu néctar se fundisse com o teu

Quiseste que fôssemos um só
Quis-te em ardor no meu âmago

Na ilha

Foste vida cheia
Ventre pleno de prazer
Inundada pelas marés e marinheiros
Perdida agora no oceano
Borbulhas na espuma da manhã
Emanas a energia das estrelas
Daquilo que viveste outrora
Dos corpos que acolheste
Das gargalhadas que soaram ilha afora
Dos segredos que acalentaste
Dos colos que foram teus
Fervilhas com as recordações passadas
Do corpo fustigado por sol e sal
Pelos amantes que te amaram
Pelas histórias que não contaste
Guardas em ti tesouros escondidos
Foste jovem que não repousava o pé no morro
Foste palmeira com água de coco refrescante
Deste-te nas areias quentes e morenas
Sonhaste e fizeste sonhar
Suspiraste e fizeste suspirar
Agora sorris
Feliz
Viveste plenamente
És memória certa e inesquecível
Sumarenta e vibrante
Pintavas todas as cores do arco-íris
Espalhavas magia pela orla
A mesma que agora te envolve
As algas que te encobriam pecados
São as que agora te protegem
As ondas que te amparavam as lágrimas
São aquelas que hoje te abraçam
Os pássaros que antes tocavam melodias de sedução
São os que hoje te avisam das tempestades
Foste jovem
Agora és sabia e parte da natureza