Escreve

Dezenas de papéis, em vários formatos e texturas, roçavam-lhe a pele nua.

Caligrafia e tinta mudas, em diferentes cores e tamanhos, aderiam-se à pele como tatuagens.

Já não sabia ser sem todos os manuscritos que lhe nasciam e, irreverentes, desarrumavam-na por dentro e por fora.

Pertenciam-lhe, mas não por muito mais. Ganhavam vida e fugiam-lhe. Precisavam voar e correr mundo.

E ela deixou.

Amar

Não tenho medo de viver

Não tenho medo de morrer

Tenho medo de ficar estagnada dentro do meu ser

Não poder aprender

Não conseguir crescer

Não poder sair e evoluir

Despertar e sorrir em cada amanhecer

Preciso continuar a acreditar

A lutar sem parar

Pela vida, liberdade e bem-estar

Pelo amor sem dor

Pela amizade sem cobrar

Por aquilo que há de melhor no ser humano

Que é poder amar