Quero-te

Ainda te amo

Ainda te desejo

Sonho contigo

A dormir e acordado

Deixa-me mergulhar nas tuas ondas

Deixa-me trilhar os teus percursos

Deixa-me acelerar nas tuas curvas

E descansar entre os teus seios

Quero-te tanto

Quero-te ainda mais

Tanto que dói

O sabor da tua boca –

Não há mel igual

O toque da tua pele –

Não há seda igual

O cheiro dos teus cabelos –

Não há perfume igual

O efeito do teu corpo no meu –

Não há nenhum outro igual

Pode ser como quiseres

Desta vez não me vou queixar

Vou aceitar a tua decisão

Prometo

Tu mandas

Deixa-me sentir vivo de tesão

Aceito o que quer que seja

Para te ter de novo

E viver nesta doce ilusão

Será, não será…

Gente das minhas redes

Não se preocupem comigo

Nem sempre aquilo que lêem

Aconteceu-me ou é um perigo

Escrevo frequentemente

O que vejo, oiço, leio e imagino

Nem sempre sobre mim,

mas muitas vezes sobre ti

Qualquer escritor sabe

As linhas são metáforas, hipérboles,

filosofia, psicologia, poesia, divagação,

inspiração e muita imaginação

Por vezes, são apenas conselhos

vestidos com capas de histórias “reais”

Apenas ficção, mistura ou talvez não

Portanto… pensa

e não retires uma incerta

e errónea conclusão

Fechou abruptamente as grades, premiu o botão, virou-se, agarrou-a e encostou-a à parede do elevador. As mãos firmes subiam pelas coxas, ancas, cintura, costelas e lateral do peito, onde se demoraram. O vestido sentiu-se enxovalhado. O coração cavalgou disparado. Seguiram caminho pelos braços, elevados acima do carrapito despenteado, onde lhe prendeu as mãos nas suas. Os lábios brincavam com os dela, atiçando-a com suaves mordidelas, alternadas com a língua que, solta no pescoço, fê-la soltar um gemido mudo. O calor aumentava a cada respiração sustida e entrepernas o corpo reivindicava mais. Emoldurou-lhe o rosto com as mãos e deteve-se a beija-la, desta vez, sofregamente.

Quem nunca?

Já passava das duas; tinha jurado nunca mais lhe ligar, mas os vodkas acumulados sussurravam-lhe o contrário. O bar repleto de gente desconhecida, que parecia entretida e feliz; um ou outro bêbedo que, de vez em quando, se aproximava com falinhas mansas, com o intuito d’arrastar dali; o aperto no peito que aumentava, a cada segundo, com as saudades dele.

Mandou-lhe mensagem. Arrependeu-se de seguida, mas já estava. A cabeça pesava-lhe. A resposta não tardou: “Onde estás?” Ficou na dúvida se haveria ou não de responder. Sabia qual seria o desfecho. Disse-lhe. Que se lixe, pensou.

Baseado no livro 777 ( a ser publicado em breve)

Mil vidas

Tenho dentro de mim

Mil vidas vividas

E tantas outras por gozar

Curiosidade infantil

Imaginação de criança

Mantenho-as vivas

Porque é na essência do parto

Que me quero manter

Para todas as aventuras

Poder realmente ser

Não uma, mas várias

Todas as que me apetecer

Não deixarei o sonho morrer

Porque podemos ter

Tantas ou mais vidas como os gatos

Basta não deixar desaparecer

O que de mais belo temos

Que é saber viver

Ela voava só

Anjo puro planava

Via o mundo inteiro

Amor infinito espalhava

Atiravam-lhe pedras

Tentavam derrubá-la

Como se nada a atingisse

Incansável continuava

Desviava-se e deixava

Que o mal ficasse em terra

Não queria magoar ninguém

Podia fazê-lo

Tinha poder para tal

Mas a sua essência

Era feita do melhor material

À prova de corrosão

E de maldade

Sabe-se lá como

Ia semeando no solo

O que mais falta fazia

Pensando um dia poder

vencer o Mal com o Bem

Finjo acreditar e permito-me embalar na tua conversa meiga. Vais-me conduzindo na tua Harley. Deixo a brisa entreter-se com os meus cabelos. Sorrio. Gosto de ver até onde vai a imaginação e a persuasão humana. De vez em quando, concordo que os meus braços te envolvam. Sei que te faz sentir homem.

Paramos para um café. Apenas mais uma desculpa para me tentares enlaçar. Deixo que o cowboy que há em ti se sinta no controlo. Rio-me como se me fizessem cócegas. Consinto que os meus olhos ternos fiquem embevecidos e, sem palavras, convenço-te do que quero. Achas que quero mais do que tu. Achas que a minha expressão corporal é natural. Costuma ser. Excepto quando sinto que me estão a conduzir docemente a um precipício. Deixo-me ir. Dou-te corda. Gosto de estudar a mente, observar as pessoas, ver como reagem e até onde vão. Então, aproveito o palco e faço o meu papel. Donzela frágil, carente, crédula e ansiosa de um largo ombro másculo. De um anjo salvador.

Gostas de brincar. Eu, às vezes, também. Quando tenho tempo.

Sou a mulher perfeita. Quando quero.

Chegamos à beira do abismo. Quando estás totalmente convencido de me teres onde queres… Não te empurro, não salto, não te desmascaro… não. Com a lua crescente nos lábios digo-te: “tenho de ir fazer xixi, mas volto já”.

Só que não.

Amarrotados

Mentiras escancaradas

Em processos obsoletos

Leis feitas por alfaiates

Antecedendo os esqueletos

Daqueles que ficam

De mãos atadas a ver

Incrédulos com tanta impunidade

De tantos amigos corromper

Riem, comemoram

Sem vergonha de atiçar

Orgulhosos de si

E de uma nação inteira enganar

Continuem a roubar

Que nós pagamos

Mas cuidado a semear

O Zé Povinho não calamos

Parvos não somos

Mas continuam a insistir

Não se admirem um dia

Ver a barraca a cair

O cheiro a café abraçava o espaço e fazia-a despertar com um sorriso. Espreguiçava-se sentindo aquele aroma caseiro que tanto adorava. Precisava daquele líquido como se de um vício se tratasse. A mãe sabia e fazia questão de lhe preparar o néctar com todo o amor. Isso tornava-o diferente dos outros. Aqueles grãos eram iguais mas o caráter era único. Assim que o líquido a beijava nos lábios e o perfume invadia ainda mais o olfato, o mundo parava. Aquele momento era ouro negro reluzente. O prazer invadia-lhe o palato e descia como um riacho que segue o seu percurso sem enganos. O impacto final culminava em total conforto. Era como um sofá acolhedor que nos envolve e protege, cheio de almofadas quentinhas e fofas. Sorria de novo e agradecia, aconchegando mais a chávena nas mãos.

Não sei de onde vem

Esta difusa insatisfação

Nem sempre presente

Mas que me deixa ausente

De mim, de ti

Do que tenho

Do que quero

E tenho tanto

Quero mais

Mais o quê?

Nem sei

Já tenho tudo

Quer estar e quero ir

Mergulhar e voar

Apregoar e calar

Estagnar e fluir

Quero o que sou

Almejo o que não sou

Estou aqui mas não estou