Felicidade sabe a liberdade

Liberdade sabe a ser criança

Ser criança sabe a dançar

Dançar sabe a sorrir

Sorrir sabe a paz

Paz sabe a respirar

Respirar sabe a mar

Mar sabe a relaxar

Relaxar sabe a sonhar

Sonhar sabe a voar

Voar sabe a alegria

Alegria sabe a amizade

Amizade sabe a partilhar

Partilhar sabe a oferecer

Oferecer sabe a receber

Receber sabe a gratidão

Gratidão sabe a vida

Vida sabe a ser

Ser sabe a poder

Poder sabe a Universo

Universo sabe a perfeição

Perfeição sabe a Natureza

Natureza sabe a pureza

Pureza sabe a doce

Doce sabe a amor

Amor sabe a Divino

Divino sabe a Felicidade

Tornaste-te uma obsessão

Um vício

Uma dependência

Sem ti nada mais era importante

Os dias ficaram cinzentos

As noites intermináveis

O teu corpo era o alimento do meu

Sem ti não existo

A dependência emocional é tão grave ou maior que uma dependência física. Assim como um drogado precisa da droga para conseguir funcionar e manter as suas rotinas e bem estar, assim também alguém que é co-dependente de outro precisa dessa pessoa. O problema é que qualquer coisa que o outro faça com a sua vida, irá refletir-se naquele que dele se “alimenta”.

Esta dependência não é só entre marido e mulher ou namorados; pode existir entre pais e filhos; amizades e até em relações profissionais. A pessoa que se vicia noutra abandona, por assim dizer, a sua vida para viver a vida do outro. Se o outro deixa e até gosta pode aproveitar-se para tirar diversos tipos de vantagens próprias. Isto de saudável não tem nada. O co-dependente anula-se, em detrimento do outro, mesmo sem se aperceber de tal. Quando se apercebe já a situação está fora do controle.

Nada como meditarmos e analisarmos regularmente a nossa saúde mental, emocional, a nossa paz e equilíbrio. Conhecermo-nos. Saber o que é que estamos a fazer com a nossa vida. Estamos a vivê-la ou entregámo-la nas mãos de alguém?

num dia de março

Estamos praticamente a meio do mês e olhando para os dias de março com celebrações assinaladas, parece-me interessante fazer um balanço. Começámos no primeiro dia com o Dia Mundial da Proteção Civil, em que se organizam habitualmente simulações, exposições, ações de sensibilização e outras iniciativas que tentam informar e integrar a população em geral. No dia cinco celebra-se o Dia Mundial da Oração, cuja origem começou com um movimento de mulheres cristãs no século XIX nos Estados Unidos e no Canadá, que tinha como propósito a defesa de mulheres e crianças. Também se dedicavam a rezar pelas missões cristãs espalhadas pelo mundo todo. Dia sete assinala-se o Dia de Luto Nacional pelas Vítimas de Violência Doméstica, aprovado em fevereiro de 2019 pelo Conselho de Ministros, como forma de prestar tributo às vítimas de violência doméstica e às suas famílias. Dia oito, o Dia Internacional da Mulher, cujo principal objetivo é reconhecer a importância e contributo da mulher na sociedade, bem como recordar as conquistas das mulheres e a luta contra o preconceito, seja racial, sexual, político, cultural, linguístico ou económico. O dia onze assinala Dia Europeu das Vítimas de Terrorismo, em honra das vítimas de terrorismo e presta-se homenagem a todas as pessoas que perderam a vida em ataques terroristas, partilhando-se a dor dos familiares e dos amigos das vítimas de terrorismo. Hoje, dia quatorze, assinala-se o Dia do Pi, o Dia de Santa Matilde, o Dia Branco e o Dia da Incontinência Urinária.

Há uma maioritária relação nestas celebrações com a palavra mulher. Seja pela defesa que precisam através da oração; seja por serem as principais vítimas de violência doméstica; seja pelas conquistas, mas constantes lutas contra todo o tipo de preconceito. Isto, continua a provar que há ainda um longo caminho a percorrer para que as mulheres deixem de ser consideradas desfavorecidas. Muito já se conquistou, mas muito mais há ainda para conquistar. Todos temos o dever de combater celeremente esta descriminação. Em casa, desde cedo, ensinar os filhos que a violência (seja ela qual for) não é permitida nem negociada; na escola, os professores falarem abertamente nesse assunto e incentivarem a denuncia; nos media, publicidade para consciencialização social; vizinhos que se apercebam chamem a polícia, não finjam não saber; agentes de autoridade, médicos, associações, tribunais, governantes e leis adequadas que ajudem as vítimas a saírem ilesas dessas situações e que punam os agressores antes destes serem chamados de assassinos. Prevenir é melhor que remediar. E para a morte não há remédio. Mas, acima de tudo, parece-me a mim que o mais importante é a própria mulher tomar consciência que ela é uma vítima e não a causadora e merecedora de castigo. Que situações de violência verbal e/ou física seja em casa, na escola ou no trabalho precisam ser denunciadas, assim como o assédio sexual. O medo e o segredo dão mais poder ao agressor que se vai apoderando cada vez mais de uma vida que não é sua e da qual não tem qualquer direito de se apropriar. Quem ama não faz chantagem emocional. Quanto mais cedo esse ciclo vicioso for rompido, melhor. Não há desculpa para aqueles que se dizem o sexo forte continuarem a aproveitar-se do seu género para menosprezar, magoar, violentar e matar aquelas que escolheram para partilhar o lar, a cama, a vida e serem mães dos seus próprios filhos. Como é que eles serão quando crescerem? Como é que um filho fica ao ver a mãe ser maltratada pelo pai? Ao sentir-se impotente contra a violência do progenitor? A sentir na pele uma vida negra de injustiças? A casa ou o lar deve ser o local onde nos refugiamos, onde relaxamos, respiramos paz e não um campo de minas onde, a qualquer instante, pode começar uma guerra. Mulheres denunciem, gritem, defendam-se, saiam, afastem-se enquanto é tempo. Um dia pode ser tarde demais. Quem sabe, não seja cúmplice. Essa história de “entre marido e mulher não se mete a colher” não faz sentido quando um deles corre risco de vida. Todos temos a obrigação de ajudar quem está nessa situação, mesmo quando a pessoa ainda não consegue compreender ou aceitar que precisa de ajuda.

Que possamos um dia assinalar essas datas com uma estatística bem mais favorável do que aquela que temos hoje.

Sonhos

Detesto o que de vez em quando me acontece e hoje foi um desses dias.

Acordo cedo, pelas seis da manhã, e tento desesperadamente desligar o cérebro, que se está completamente a borrifar para mim. Vai buscar tudo e um par de botas para mostrar quem é que manda. O que tenho para fazer durante o dia, coisas do passado, ideias para o futuro, o que disse e não disse, o que tenho de escrever… e todas as ligações, entre isto tudo, frenéticas como uma rede de autoestradas em hora de ponta. Finalmente, ao fim de mais ou menos uma hora, consigo adormecer. Acordo com o despertador às oito. Estava a dormir ferrada e deliciada, mas em sobressalto sou despertada pelas obrigações. Desta vez o cérebro não quer acordar e pior – está consciente do sonho que estava a ter e não queria que terminasse. Vou contar-vos qual foi o de hoje.

Estava num país estrangeiro, no restaurante de um hotel, que mais parecia um bar vintage com música, imensa animação, um grande buffet e uma mesa cheia de amigos. Vi um autocarro descapotável a chegar (nos sonhos tudo é possível) e lá em cima o Bruce Springsteen, que iria atuar mais tarde, vestido com um fato de licra com as cores da bandeira americana. O grande veículo parou e eu fui a correr para o poder ver de perto e pedir-lhe um autógrafo. Ele estava a andar muito rápido e haviam mais duas ou três pessoas, atrás dele, a pedirem-lhe o mesmo. Ele, acompanhado da mulher, também no seu fato de licra, pararam e ele começou rapidamente a dar autógrafos aos que estavam antes de mim, tentando despachar-se. A seguir fui eu – agarrei no meu bloco e procurei desesperadamente uma folha de papel em branco, mas só encontrava rabiscos, listas de compras e desenhos dos meus filhos. Para o empatar um pouco comecei a dizer-lhe (em inglês) que o admirava muito e ouvia as suas músicas desde os meus quinze anos… sempre à procura de uma folha limpa. Quando finalmente encontrei e ia-lhe dar o bloco para assinar, o despertador tocou! Que raiva. Fiquei mesmo chateada. Queria continuar o sonho. Talvez se voltasse a adormecer conseguisse; não seria a primeira vez. Mas, de novo, o cérebro meio desperto entrou em conflito comigo: “sabes que tens de te levantar, são horas, não podes adormecer…”; o mesmo cérebro: “dorme, pode ser que consigas continuar o sonho de onde ficou. Estava tão bom…” E pronto! Nem me levantei logo, porque estava mesmo com sono, nem voltei a sonhar com o autógrafo do Bruce Sprinsteen! Não é justo. Ainda por cima, com as saudades que tenho de jantaradas, saídas com amigos, concertos, viajar… estava ali tudo e foi-me roubado pelo monótono som do telemóvel.

Talvez amanhã.

Os céus lamentaram-se

Choraram e padeceram-se comigo

Enviaram-me uma chuva misericordiosa

Para me limpar a alma

As lágrimas que jorrava não chegavam

A lama que se alastrava por dentro vertia

Um terrível temporal avizinhava-se

A tempo ela chegou gelada até mim

Elixir do desespero ardente

Congelou os rios pardacentos

Purificou-os

Refrescou as ideias difusas

Perdidas numa vida ferida

Trouxe consigo a esperança

E avivou que todos os fins são também novos começos

Permaneci estendida até ela se cansar

Respirei a solidária terra fustigada

Ri, chorando, por finalmente me conseguir amar

Existem situações que nos deixam um sentimento agridoce, mas este em especial deixa-me um fim de boca prolongado a ferro oxidado.

É fantástico tudo o que a NASA faz e o robô Perseverance que chegou a Marte é mais que uma prova disso. Um robô e um helicóptero em distantes terras vermelhas à procura de antigos sinais de vida. Interessante, sim. Nível de importância para mim? Baixo. Porquê? Chamem-me de ignorante ou o que quiserem, mas então o que é que se poderia melhorar aqui no planeta azul? E se esses milhões que são gastos para descobrir o planeta vermelho fossem utilizados para ajudar todos aqueles que padecem na terra? Para mim faria muito mais sentido. Tanta gente a passar fome, miséria, sem casa para dormir, desalojados sem um país, filhos sem pais, guerras, sem-abrigos, doenças sem possibilidade de tratamento… mas, saber o que se passou em Marte é super importante. Fechamos os olhos a este mundo e partimos para outro. Faz sentido… mas enfim, isto sou eu que sou parva e não percebo nada disto.

Amo.te

Podia também dizer que te adoro

Amo-te

Podia dizer que és muito importante

Amo.te

Ou que gosto muito de ti

Amo-te

Que a tua pele se encaixa, como um lego, na minha

Amo.te

Que a profundidade dos teus olhos são um oceano

Amo-te

Que as tuas possantes mãos são veludo em mim

Amo.te

Que os tempestuosos beijos gulosos são chocolate picante

Amo-te

Podia escrever resmas de papel

Amo.te

Gastar litros de tinta

Amo-te

Esgotar todo o abecedário dos apaixonados

Amo.Te

Mas de nada serviria se não provasse todos os dias que

Te.Amo

Palavras bonitas são melodia para os ouvidos, mas ações diárias são o verdadeiro alimento para o coração

Quantas queres?

Nascemos sem pedir, berramos a bem ou a mal e rapidamente nos retiram do colo de quem mais precisamos. Não parece ser um bom começo de vida. No entanto, vamos crescendo e queremos ser mais velhos para viver mais – ser adulto. A meio do percurso começamos a querer fazer anos em sentido inverso e quanto mais perto do fim chegamos mais parece que passou tudo a correr. Foi um instante.

Queremos e fazemos tudo ao nosso alcance para prolongar a nossa estadia. Não queremos que a viagem termine; apesar de todas as contrariedades, decepções, frustrações, injustiças, perdas, doenças e quedas vividas, queremos mais. Queremos também continuar a sentir as alegrias, as conquistas, os afectos, as realizações, os prazeres, os sonhos e o amor que a vida nos proporciona. Assim sendo, surgem-me algumas perguntas: se só temos uma vida, que nos foi oferecida, o que fazemos com ela? Estamos a aproveitar bem o tempo presente? Ninguém sabe quando parte, quando se vai; não trazemos prazo de validade. Como tal, parece-me bastante sábio e lógico vivermos o melhor que pudermos. Por exemplo, se trabalhamos mais de metade das nossas vidas, faz sentido fazermos algo que não gostamos? Ter uma profissão que não mexe connosco? Que não nos dá pica? Que não nos faz brilhar os olhos? Para mim, não faz sentido. Temos de ter prazer a viver e isso inclui fazer aquilo que gostamos na maior parte dos anos que por cá andarmos.

E ficar casado ou numa relação, toda uma vida, com alguém que já se deixou de amar? Faz sentido? Para quem? Porquê? Pelo dinheiro? Pelas aparências? Pelos filhos, muitos dirão. Mas se fossem os filhos a estarem casados com alguém que não os faz felizes, nós aprovaríamos? O mesmo se passa ao contrário. Porque quem ama quer ver o outro feliz. E os filhos querem, acima de tudo, pais felizes, mental e emocionalmente saudáveis.

Lembrem-se: só nos é dada uma vida. Cabe a cada um de nós fazer o melhor com ela; ou seja, ser feliz!

Há-de passar

Ele:

Volta

Volta para mim

Não me deixes abandonado nos lençóis da saudade

Ainda sinto o teu perfume no ar

Ainda sinto a tua respiração

E o teu corpo colado ao meu

Acordo com a invasão do calor

Tateio para te sentir

Sinto o espaço frio

O que é que ele tem que eu não tenho?

Engulo o orgulho envenenado

Agarro o telemóvel e ligo

Preciso ouvir a tua voz quente

Perguntas quem fala

Tremo por dentro

Mas sem coragem continuo ausente

Ela:

Sei que estás do outro lado

Sinto

Não precisas falar, eu sei

Sentes a minha falta

Porque não sentiste mais cedo?

Porque não me soubeste manter?

Porque não me deste ouvidos?

Agora dói-te

Eu sei

A tua ausência presente também me doeu durante muito tempo

Agora já não

Agora só te tenho numa lembrança distante

Os avisos e sinais são para ser levados em conta

Quem ama cuida sempre

Quando perde já é tarde

Deixa lá…

Há-de passar um dia

Memórias

Memórias

Nunca fui uma pessoa saudosa do passado, até porque tenho péssima memória, e esqueço tudo facilmente. Gosto de viver no presente, mas há recordações que nos marcam e ao relembrar uma delas, que guardo num cantinho florido, não consigo evitar, invariavelmente, rir-me. De mim e de toda a situação que vos vou contar.

Estávamos no verão de 89. Os meus pais tinham-se divorciado e fui passar férias para Monte Gordo, para casa da irmã do meu pai. Para não me sentir tão só, ele deixou-me levar duas amigas connosco. Na falta de quartos, ficávamos as três a dormir juntas no chão da sala. As noites quentes de agosto no Algarve vibravam de gente e energia, mas o meu pai fazia questão que estivéssemos sempre em casa por volta das onze, onze e meia. Supostamente, à meia-noite estaríamos a dormir.

A janela da sala com portadas em madeira e um rés do chão que dava para a rua eram o convite perfeito para uma escapadela noturna. Os inúmeros bares e discotecas que deixavam entrar quaisquer jovens senhoritas eram uma atração inevitável.

Esperávamos que a casa ficasse em absoluto silêncio e saltávamos a janela com todo o cuidado.

Nós só queríamos dançar.

Ub40, Doors, U2, Cyndi Lauper, Erasure, Roxette e muitos mais enchiam a pista e nós, em sintonia ritmada, só parávamos quando era hora de voltar. Três, quatro da manhã parecia-nos razoável para regressar ao repouso.

Fizemos isto algumas vezes até que numa das manhãs seguintes, ao pequeno-almoço, o meu pai disse que sabia de tudo. Senti um frio na espinha e o chão a fugir. Devo ter empalidecido.

O meu primo, que andava na tropa, havia regressado na noite anterior. Como não tinha chave, tinha batido à porta, como ninguém abriu foi bater-nos à janela. Na ausência de resposta, empurrou as portadas e voilá! Em vez de três moças deitadas no chão, haviam apenas almofadas. E foi assim que se acabaram as danças.

Uma coisa é certa- nunca mais voltei a fazer férias com amigas em casa da minha tia.

E vocês, também têm histórias destas? Contem-me! 🤩