Sexo

Gosto de sexo. Não vou mentir. Não vou dizer que foi pelo dinheiro, não. Foi pela diversão, pela adrenalina e excitação. Pelo novo e proibido. Saborear o perigo de caminhar na linha do comboio. Provar novas sensações. Viver fora dos limites. Beber o licor da liberdade. Claro que, entretanto, fiquei viciada no cheiro das notas. Não passo sem o que elas me proporcionam.
Tudo começou com uma brincadeira, pouco inocente, regada com muito vodka. A minha colega de faculdade e o namorado quiseram brincar e filmar – um vídeo caseiro. Gostámos. Continuámos. Sem saber bem como, os vídeos foram divulgados e os convites começaram a surgir. Corpos jovens, nus, belos, que divertidos dançam alheios a olhares indiscretos. Os pedidos e as fantasias cresciam assim como o nosso desejo por mais. O dinheiro reproduzia-se e novas propostas surgiam em cima da cama. Lençóis brancos, puros como a neve, transformavam-se em masmorras devassas, tornando cativos todos os que lá tropeçassem.
As festas VIP, o champanhe, os vestidos de lantejoulas, os sapatos Louboutin, as malas Louis Vuitton, as joias que reluzem, os perfumes franceses, a maquilhagem de Nova Iorque, o cabeleireiro das atrizes, os SPA’s que amaciam a pele com óleos (e apagam todas as impressões digitais), os restaurantes da moda, as discotecas mais concorridas, a cocaína, o Personal Trainer que incha os glúteos e chapa a barriga, os implantes de silicone, as injeções de botox… tudo tem um preço – alto. E eu… eu acostumei-me a tudo isso.
É como uma escada que vamos subindo e não queremos descer, queremos continuar até chegar ao topo. Não dizem que o céu é o limite? No entanto, está invertido. O céu é afinal o inferno. A liberdade que existia no patamar da escadaria foi-se. Agora somos reféns – de nós próprias, dos vícios, da roda imparável do sexo, dos luxos e da podre alta(mente) sociedade. Bens materiais, Instagram e outras futilidades afins passam a controlar um estatuto, uma capa, uma aparência. Uma inocência perdida para sempre, gravada e espalhada por todo um mundo ávido de prazeres obscuros. Obrigações que enchem as noites, outrora de prazer… agora – dever.

Publicado por Sara Carvalho

Chamo-me Sara Carvalho. Sou mãe de três filhos lindos, um deles com Síndrome de Down. São a minha grande paixão e inspiração para tentar ser, a cada dia, melhor. Curiosa de raíz, apaixonada pela vida e pela natureza. Adoro artes: ler e escrever - sobre os mistérios da vida, as emoções humanas, os pormenores; dançar; cantar (só para mim); cinema; espetáculos; concertos; exposições; viajar e ... sonhar com um futuro melhor. Um sonho que se transformou em objetivo: escrever um livro. Consegui! Mais sonhos? Não me faltam...

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